Durão Barroso nega qualquer responsabilidade pela situação do país

09 de dezembro 2012 - 15:13

O actual presidente da Comissão Europeia, e ex primeiro ministro de Portugal, nega que o seu governo tenha contribuído de alguma forma para a atual crise. Durão Barroso defende que Portugal não deve reivindicar as mesmas condições atribuídas à Grécia, onde foram reduzidos os juros, prolongados os prazos e aceite a possibilidade de reduzir a dívida.

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Foto de GEORGES BOULOUGOURIS/LUSA

Durão Barroso afirmou, em entrevista à SIC Notícias, que os anteriores governos devem assumir as suas responsabilidades face à atual situação do país, sublinhando, contudo, que o seu executivo, responsável, nomeadamente, pela compra dos dois submarinos - Arpão e Tridente – ao consórcio alemão German Submarine Consortium, num negócio altamente lesivo para o erário público, não tem qualquer responsabilidade pela actual crise.

"Há responsabilidades, e temos de as assumir como país, mas atenção: não foi o meu governo que criou esta situação muitíssimo grave", frisou.

“Quem causou a crise que hoje vivemos foram governos que não controlaram as suas contas públicas, foram supervisores nacionais que não verificaram a situação dos seus bancos ou não agiram adequadamente e foram também comportamentos perfeitamente condenáveis no sistema financeiro”, avançou o ex primeiro ministro português.

Durão Barroso defende que Portugal não deve reivindicar mesmas condições da Grécia

O actual presidente da Comissão Europeia considera que Portugal não deve reivindicar um tratamento igual à Grécia, onde a troika foi obrigada a aceitar alterar as condições, reduzindo os juros, dando um período de carência, prolongando os prazos e aceitando a possibilidade de reduzir a dívida.

“O princípio está lá e pode ser eventualmente aplicado”, adiantou Durão Barroso, sublinhando, contudo, que espera que “Portugal não chegue a uma situação como a da Grécia, em que tenha que aplicar essas mesmas condições, que já são vistas como de um país que não foi capaz de cumprir o programa”.

Para o ex ministro português, é certo que “Portugal vai cumprir este programa”, face ao esforço “notável” do governo PSD/CDS-PP, pelo que não é desejável reivindicar “uma equiparação das condições”, dado que isso iria comprometer a confiança dos investidores.