EDP lucrou 900 milhões e recusa aumentos de salários em 2021

05 de fevereiro 2021 - 14:06

Nas negociações, os sindicatos exigem aumentos de 90 euros para os trabalhadores. A administração da EDP responde com “atualização salarial nula”.

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A proposta da Fiequimetal representará em termos percentuais um aumento médio de 4,6%, sendo maior nas categorias de base e menor nas categorias mais bem remuneradas.
A proposta da Fiequimetal representará em termos percentuais um aumento médio de 4,6%, sendo maior nas categorias de base e menor nas categorias mais bem remuneradas. Foto de António Cotrim/Lusa (arquivo).

A administração liderada por Miguel Stilwell de Andrade recusa qualquer aumento para os mais de 6 mil trabalhadores, apesar da energética passar pela crise sem impacto relevante nos lucros anuais, que foram revistos em alta ainda em outubro de 2020 para cerca de 900 milhões de euros.  

Ainda antes da revisão em alta dos lucros, em julho de 2020, Miguel Stillwell prometia “pelo menos 700 milhões de euros em dividendos”.

Face a estes números, as estruturas sindicais integradas na Fiequimetal propõem um aumento salarial de 90 euros para 2021. Ao Expresso, Joaquim Gervásio, dirigente desta federação sindical, considera “vergonhosa” a contraproposta da administração.

A administração liderada por Miguel Stilwell alega falta de produtividade. A Fiequimetal contesta e lembra que a empresa não parou em 2020. “Falar em falta de produtividade significa gozar com quem trabalha”, aponta a estrutura ligada à CGTP.

No início de 2020, após uma primeira reunião a partir do zero, a administração da EDP acabou por ceder. “No ano passado andaram cinco reuniões sem passar dos 0,6% e depois aceitaram 1%”, relembra o dirigente sindical. Sendo que para as categorias mais baixas o aumento acordado no final de abril ficou acima de 1%, para alcançar uma nova fasquia. “Conseguimos que não houvesse ninguém na empresa a trabalhar com menos de 1000 euros brutos”, explica.

A proposta da Fiequimetal representará em termos percentuais um aumento médio de 4,6%, sendo maior nas categorias de base e menor nas categorias mais bem remuneradas.

Miguel Stilwell abriu as reuniões com os sindicatos a 27 de janeiro. O objetivo da administração será ter a questão salarial fechada até março. Joaquim Gervásio acredita que seja possível.

“A EDP também não se pode queixar. Apesar de dizerem que têm tido prejuízo em Portugal, têm tido nos últimos 10 anos milhares de milhões de euros de lucro. E têm ficado com 86% do valor acrescentado bruto. Não é por aumentarem os ordenados que vão à falência”, afirma Joaquim Gervásio.

Será este dirigente sindical que conduzirá, pela Fiequimetal, a negociação salarial na REN – Redes Energéticas Nacionais, tendo já aquela estrutura apresentado uma proposta similar, de aumento de 90 euros para os cerca de 700 trabalhadores da empresa gestora das infra-estruturas de eletricidade e gás natural.

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