Enfermeiros em vigília contra 'insulto'

07 de julho 2012 - 12:41

Protesto em frente ao Ministério da Saúde mostrou a indignação contra a contratação de profissionais a menos de quatro euros por hora. Sindicato diz que Ministério não assumiu a anulação do concurso, só se comprometendo a negociar cláusulas.

PARTILHAR
Enfermeiros recordaram a Paulo Macedo que a escravatura foi abolida. Foto de António Cotrim, Lusa

Os enfermeiros fizeram nesta sexta-feira uma vigília diante do Ministério da Saúde para manifestar a sua revolta e indignação contra o insulto que significou para os profissionais o concurso aberto pela Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo a empresas de trabalho temporário para a contratação de enfermeiros a 3,96 euros à hora.

O ministro Paulo Macedo “soprou” para a imprensa que estaria desconfortável com a medida e que iria abrir um inquérito, mas o que é certo, esclareceu o presidente do Sindicato dos Enfermeiros Portugueses, José Carlos Martins, é que o Ministério não assumiu a anulação do concurso, comprometendo-se apenas a negociar "cláusulas a impor às empresas de subcontratação a definição de um salário mínimo indexado à tabela da Função Pública".

Por isso os enfermeiros mantiveram o protesto, porque "não podiam calar a revolta e a indignação face ao insulto que constitui esta oferta de 3,96 euros à hora, através de empresas de trabalho temporário", disse à Lusa José Carlos Martins.

"É uma profunda exploração dos enfermeiros", sublinhou, indicando que o Estado português regulou o salário base para os enfermeiros na Função Pública, fixado nos 1200 euros, com 632 euros para os licenciados em estágio; mas no concurso para contratação de enfermeiros para centros de saúde na alçada da Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo, os valores situam-se entre 250 e 300 euros.