Os enfermeiros fizeram nesta sexta-feira uma vigília diante do Ministério da Saúde para manifestar a sua revolta e indignação contra o insulto que significou para os profissionais o concurso aberto pela Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo a empresas de trabalho temporário para a contratação de enfermeiros a 3,96 euros à hora.
O ministro Paulo Macedo “soprou” para a imprensa que estaria desconfortável com a medida e que iria abrir um inquérito, mas o que é certo, esclareceu o presidente do Sindicato dos Enfermeiros Portugueses, José Carlos Martins, é que o Ministério não assumiu a anulação do concurso, comprometendo-se apenas a negociar "cláusulas a impor às empresas de subcontratação a definição de um salário mínimo indexado à tabela da Função Pública".
Por isso os enfermeiros mantiveram o protesto, porque "não podiam calar a revolta e a indignação face ao insulto que constitui esta oferta de 3,96 euros à hora, através de empresas de trabalho temporário", disse à Lusa José Carlos Martins.
"É uma profunda exploração dos enfermeiros", sublinhou, indicando que o Estado português regulou o salário base para os enfermeiros na Função Pública, fixado nos 1200 euros, com 632 euros para os licenciados em estágio; mas no concurso para contratação de enfermeiros para centros de saúde na alçada da Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo, os valores situam-se entre 250 e 300 euros.