As palavras do ministro Nuno Crato no fim do dia em que o protesto dos professores arruinou a sua "prova de avaliação" visaram lançar a dúvida sobre as qualificações dos professores formados em Escolas Superiores de Educação (ESE), apesar delas serem avaliadas pelo Ministério que comanda.
Em resposta ao que consideram ser um "preconceito pessoal" do ministro, as ESE que integram a Associação de Reflexão e Intervenção na Política Educativa das Escolas Superiores de Educação (Aripese) irão interromper a atividade a partir das 16h desta quinta-feira. Durante 12 minutos - "o mesmo tempo que durou a entrevista de Nuno Crato à RTP" em dezembro - vão distribuir folhetos com informação sobre "a importância e os contributos das ESE", explicou à agência Lusa Rui Matos, presidente da Aripese.
Para o responsável pela associação que junta 12 das 13 ESE públicas portuguesas, "um ministro não pode ter ideias de senso comum, enquanto ministro". Rui Matos diz ainda que "não se percebe porque deve haver dúvidas da qualidade dos professores", quando os estudos internacionais recentes demonstram "que há desempenhos acima da média" dos alunos portugueses.
"A educação nunca é demais. Se se acha que se gasta muito com a educação, é importante ver quanto dinheiro se perde com a ignorância", sublinhou Rui Matos, prometendo mais ações "de reflexão, discussão e clarificação" ao longo do ano letivo. A ação desta quinta-feira foi aprovada em novembro, na altura em que o Conselho Coordenador dos Institutos Superiores Politécnicos enviou uma carta aberta a Passos Coelho, exigindo a demissão do ministro Nuno Crato.