Estivadores: Patrões defendem “necessidade” de alterar lei da greve e ameaçam com despedimentos

04 de dezembro 2012 - 18:20

A propósito da greve dos estivadores, confederação dos patrões defende a “necessidade” de uma lei da greve mais restritiva, que tenha em consideração “a proporção dos interesses afetados”. A CGTP, entretanto, diz que o regime do trabalho portuário viola a convenção da Organização Internacional do Trabalho e pondera queixa nesta organização.

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Centrais sindicais alertam: o custo do trabalho portuário não é um fator determinante para a competitividade dos portos nacionais.

 

A Confederação da Indústria Portuguesa (CIP) diz que a constituição dá espaço para a alteração da lei da greve e, a propósito da greve dos estivadores, defende a “necessidade” de uma regulamentação mais restritiva desta lei.

 

“A CIP há muito que tem dito que a Lei da Greve precisava de ter outro tipo de aproximação”(...), “nomeadamente no domínio da definição do que são greves lícitas e ilícitas», declarou Gregório Rocha Novo, no final de uma audição na Assembleia da República. 

Para o líder da confederação patronal, que também ameaçou com o espectro do despedimento generalizado nos portos nacionais, “se andamos à procura de oportunidade, a oportunidade muitas vezes é-nos dada pela necessidade”.

O direito à greve, diz o representante dos patrões, não pode ser um direito absoluto e tem que ser considerado à luz dos interesses que prejudica: “a licitude [de uma greve] tem também a ver com a proporção dos interesses afetados”.

A CGTP e a UGT também foram ouvidas hoje na Comissão Parlamentar de Trabalho e Segurança Social, no âmbito das audições para discussão na especialidade do novo regime de trabalho portuário, encontrando-se as duas centrais sindicais de acordo num ponto: o custo do trabalho portuário não é um fator determinante para a competitividade dos portos nacionais.

Arménio Carlos considera mesmo que a nova lei do trabalho portuário configura uma alteração dos quadros dos portuários que viola a convenção da Organização Internacional do Trabalho, uma posição secundada pelo Bloco de Esquerda e PCP. A CGTP diz-se preparada para enviar uma queixa a esta organização.

Na passada quinta-feira, o Parlamento aprovou na generalidade o novo regime de trabalho portuários apresentado pelo Governo, com os votos favoráveis do PSD, CDS e PS e votos contra do Bloco, PCP e Verdes.