EUA: Câmara de Representantes aprova acordo, Krugman considera-o desastroso

02 de agosto 2011 - 2:21

A Câmara de Representantes aprovou, com 269 votos a favor e 161 contra, o acordo entre republicanos, presidência e democratas de cortes na despesa e de aumento do tecto da dívida. No entanto, metade da bancada democrata votou contra e Paul Krugman considera que se trata de “uma catástrofe a vários níveis”.

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Metade da bancada democrata votou contra o acordo

A Câmara de Representantes dos Estados Unidos da América votou favoravelmente nesta segunda feira o acordo a que tinham chegado republicanos, presidente e democratas. A votação teve 269 votos a favor e 161 contra. A favor votaram 145 republicanos e 95 democratas, contra votaram 95 democratas e 66 republicanos, da facção de extrema direita do Tea Party. No Senado o acordo foi aprovado por 74 votos a favor e 26 contra.

O acordo prevê cortes de gastos públicos num total de 2.400 biliões de dólares numa década em duas etapas e uma extensão da dívida no mesmo montante e nos mesmos prazos. De imediato, o acordo estipula a redução de mais 900.000 milhões de dólares e a elevação da dívida noutro tanto. Simultaneamente, é criada uma comissão parlamentar para cortar mais 1,5 biliões de dólares, decisão que será votada no Congresso sem emendas. Caso a proposta seja recusada ou a comissão não chegue a acordo, serão cortados automaticamente gastos no montante de 1,2 biliões de dólares e aumentada a dívida no mesmo montante, permitindo que o Estado pague as suas despesas no próximo ano. No debate do acordo não foi tido em conta o aumento de impostos sobre os mais ricos como defendiam alguns deputados democratas.

Para Paul Krugman, este acordo é uma rendição do presidente e vai pôr os EUA “ainda mais doentes”.

O economista e prémio Nobel da Economia acusa o presidente de ter cedido à “chantagem” de “extremistas de direita” e considera que o acordo é péssimo para a democracia americana porque veio “demonstrar que a extorsão política funciona e que não acarreta custos políticos”.

Krugman considera que o acordo “vai deteriorar uma economia já de si deprimida” e tornar “o problema da dívida norte-americana de longo prazo pior, não melhor”. O economista assinala que os EUA têm actualmente “uma economia profundamente deprimida”, que continuarão a tê-la “quase certamente, até ao final do próximo ano” e “provavelmente” “durante 2013”, concluindo que nesta situação “o pior que se pode fazer é reduzir a despesa do governo, já que isso vai deprimir a economia ainda mais”.

Paul Krugman afirma, a concluir, que “aqueles que exigem cortes na despesa agora são como os médicos medievais que sangravam os doentes para os tratar, pondo-os ainda mais doentes”.

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