São privados, geralmente na orla de organizações religiosas, não têm reconhecimento oficial enquanto instituições médicas e são conhecidos por pressionarem mulheres para não recorrerem à interrupção voluntária da gravidez. Contudo, os “centros de crise na gravidez”, mais conhecidos como centros anti-aborto, recebem dezenas de milhares de dólares em impostos e a fatia destes que lhes é dedicada está a aumentar. Numa década, essa acréscimo foi de cinco vezes mais noticia a Associated Press.
A agência noticiosa norte-americana fez as contas aos orçamentos estaduais e concluiu que, pelo menos, perto de 89 milhões de dólares no presente ano fiscal foram parar aos bolsos destas instituições. Há dez anos tinham sido 17 milhões em oito estados. Apesar da verba elevada, não são conhecidas as implicações. Ou seja, não existem estimativas de quantos abortos teriam sido “prevenidos”.
O problema dos centros anti-aborto não é apenas o seu financiamento público, sobretudo nos estados dominados pelos conservadores, mas a sua própria atividade. Estes são criticados por apresentarem às utentes informações erradas, como a de que o aborto leva a problemas de saúde mental ou a cancro da mama, tentando dissuadir através da ideia de que o aborto não é seguro, diz a professora de Saúde Pública da Universidade da Georgia Andrea Swartzendruber, e por fingirem que prestam cuidados médicos quando não o fazem, acrescenta Julie von Haefen, uma representante democrata no estado da Carolina do Norte.
Um dos estados que segue o caminho de gastar milhões de dólares dos contribuintes nestes centros é o Texas, que alterou recentemente as leis de modo a proibir na prática o aborto às seis semanas. Nos próximos dois anos, as verbas para os programas de apoio deste tipo de práticas será de 100 milhões de dólares. A democrata Debra Howard diz que se trata de um aumento “sem paralelo” e que “não se vê nos outros programas da categoria da saúde feminina” nos quais é preciso apostar, nomeadamente as consultas de planeamento familiar e os apoios a exames médicos.