Os Estados Unidos viveram ontem uma jornada de protestos em dezenas de cidades contra programas de vigilância maciça dos seus cidadãos, promovidos pela Agência Nacional de Segurança (NSA). Programas como o Prism, denunciados recentemente pelo ex-agente da CIA Edward Snowden, que dá acesso a e-mails pessoais e até às comunicações em chats ou telefones via IP, violam a Quarta Emenda dos Estados Unidos, que protege os cidadãos contra buscas que excedam o razoável e contra apreensões sem mandato.
As manifestações foram convocadas pelo movimento Restore the Fourth (Restaurar a Quarta), que considera ilegais os programas de vigilância da NSA e quer que sejam encerrados. Quando os cidadãs norte-americanos ficaram a saber da existência de programas que recolhiam e armazenavam dados sobre as suas conversas, e-mails, posts no Facebook, etc., não pareceram surpreendidos e uma maioria respondeu até a uma sondagem da Pew Research Center considerando aceitável a vigilância telefónica (56% a favor).
“Legalizem a Constituição dos EUA”
Um mês depois, porém, esta é a primeira grande reação da cidadania em defesa das suas liberdades fundamentais e da Constituição.
Em São Francisco, os cerca de mil manifestantes levaram cartazes onde se lia: “Legalizem a Constituição dos EUA” e “Recuso-me a sacrificar a minha liberdade por segurança”.
Em Nova York, cerca de 300 pessoas fizeram uma manifestação de quase cinco quilómetros entre a Union Square south e o Federal Hall.
“A Quarta Emenda serve para proteger-nos, mas chega uma altura em que temos de agir para protegê-la”, disse Parker Higgins, da Electronic Frontier Foundation, citado pela CNN.
Além de S. Francisco e Nova York, houve manifestações em Los Angeles, Dallas, Washington DC e dezenas de outras cidades.