O Comité Nacional do Partido Republicano aprovou esta sexta-feira uma resolução em que define o assalto ao Capitólio de 6 de janeiro de 2021 como uma forma legítima de discurso político. Nesta resolução, aprovada por unanimidade na convenção de inverno do órgão, reunida em Salt Lake City, também Liz Cheney e Adam Kinzinger, os dois congressistas que integram a comissão de investigação do Congresso dos EUA, são censurados.
Ao longo dos últimos meses, a investigação ao ataque, que resultou em cinco mortes e centenas de feridos, tem apertado o cerco ao núcleo mais próximo do ex-presidente Trump conhecendo-se cada vez mais detalhes sobre as relações entre este e os organizadores da manifestação que precedeu o assalto. Entretanto, também começaram já a ser julgados alguns dos 720 acusados formalmente pelo ataque, perto de 50 dos quais já foram condenados nos tribunais. Nada disto impede a cúpula do partido de escrever que a investigação se trata de uma “perseguição de cidadãos comuns” que exerceram o direito à expressão política. Trata-se de uma inversão de posição uma vez que vários líderes do partido tinham, primeiro, condenado expressamente o assalto. Depois alguns deles passaram a tentar relativizar a sua importância.
Depois da votação, vários dos dirigentes sentiram-se obrigados a dizer que não se referiam na resolução às pessoas que cometeram atos violentos. O texto aprovado, contudo, não faz qualquer distinção entre manifestantes violentos e não violentos. Por outro lado, está pejado de linguagem trumpista, considerando que Biden e os Democratas estão “embarcados num esforço sistemático para substituir a liberdade pelo socialismo, eliminar a segurança nas fronteiras a favor da abertura de fronteiras sem lei, criar uma inflação recorde para roubar o sonho americano dos nossos filhos e netos”, entre outras acusações.
Ainda antes da votação desta resolução já Liz Cheney, do Wyoming, contra-argumentava, afirmando que o seu partido se tornou “refém” do perdedor das últimas presidenciais e que ela, enquanto conservadora, respeitava a Constituição do país. E Adam Kinzinger, do Illinois, também reagiu afirmando que os perdia está a perder sentido da realidade face às "teorias da conspiração" e a uma cultura "tóxica" de obediência.
Esta resolução fecha uma semana em que Trump e o seu ex-vice-presidente voltaram a trocar galhardetes sobre a derrota eleitoral. O ex-presidente insistiu que Pence “poderia ter anulado a eleição” e garantiu que as pessoas condenadas pela sua ação no Capitólio seriam perdoadas casos volte à presidência. Mike Pence negou que essa possibilidade existisse.