A Euribor, o indexante usado nos empréstimos à habitação, disparou na passada sexta feira, situando-se na taxa a seis meses em 1,475%, na taxa a um ano em 1,924% e a três meses em 1,162%.
A taxa a seis meses, muito utilizada nos empréstimos à habitação, subiu nove pontos num só dia, a maior subida dos últimos 33 meses, e atingiu o valor mais alto desde Junho de 2009.
A taxa a três meses, também bastante utilizada nos empréstimos à habitação e a mais usada nos empréstimos às empresas, teve a mais alta subida em 30 meses, fixando-se no valor mais alto desde Abril de 2009.
A subida da Euribor foi provocada pelas declarações de Jean-Claude Trichet, presidente do Banco Central Europeu(BCE), que na quinta feira anunciou que a próxima reunião do Conselho de Governadores do BCE, a 7 de Abril, pode decidir a subida taxa de juro de referência da zona euro.
O anúncio de Trichet constituiu assim um sinal para o mercado financeiro antecipar já a subida da Euribor. Os bancos procuram desta forma transferir o aumento dos juros para quem está a pagar empréstimos, ou os vai pedir, e simultaneamente garantem o aumento dos lucros, com esta subida.
O efeito na economia real é de uma travagem na actividade, agravando a recessão em Portugal, e nas famílias é o de um agravamento das suas condições de vida, nomeadamente para quem está a pagar empréstimos à habitação.