Exército: explosão em Almaraz afetará 800 mil portugueses em 40 horas

16 de maio 2017 - 16:27

Um estudo do exército português sobre as consequências de uma explosão na central nuclear de Almaraz calcula que nas primeiras 40 horas a nuvem radioativa vá afetar 800 mil pessoas nos distritos a norte do país.

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A simulação foi feita em 2010 pelo Elemento de Defesa Biológico, Químico e Radiológico do Comando das Forças Terrestres, no quadro de um programa da NATO, diz a Rádio Renascença, que ouviu a responsável da unidade, a major de engenharia Ana Silva.

O cenário estudado é semelhante ao do acidente de Chernobyl, com a explosão de um reator, seguida de incêndio. O estudo do exército calculou a evolução da nuvem radioativa nas 40 horas posteriores à explosão e calcula que a nuvem demore 12 horas a passar a fronteira.

“Os distritos atingidos pela nuvem radioativa são os que ficam no norte de Portugal, sendo que o distrito de Castelo Branco será o mais afectado, mas sempre com valores baixos de radioatividade. No total, prevê-se que afete 800 mil pessoas”, revela a major Ana Silva, prevendo que o maior nível de perigo se concentre nos concelhos de Idanha-a-Nova, Castelo Branco e Penamacor, onde vivem cerca de 45 mil pessoas.

Mas o problema maior, acrescenta Ana Silva, não resulta da exposição imediata mas dos efeitos para a saúde da exposição prolongada a níveis elevados de radioatividade, aumentando substancialmente o risco de cancro.

Os distritos mais afetados encontram-se no norte do país, no cálculo do exército que se baseou nas condições meteorológicas dos dez anos anteriores ao estudo e no relevo do terreno. “Nas primeiras horas após o rebentamento, a nuvem avança para oeste. A seguir, e por influência tanto da cordilheira a norte da central como da Serra da Estrela, passa a deslocar-se para norte”, explicou a major de engenharia à Renascença.

Apesar do risco de acidentes graves na central nuclear situada a 100 quilómetros da fronteira portuguesa, as unidades militares especializadas dos dois países nunca efetuaram exercícios conjuntos de preparação da resposta a um acidente grave. E a Autoridade Nacional de Proteção Civil diz mesmo desconhecer a existência deste estudo do exército.

“Em Espanha, além do plano de emergência interno da central, que é obrigatório, existe um plano de emergência externo, com um conjunto de meios, mas que contempla uma acção que vai apenas até aos 30 quilómetros da central. Depois desses 30 quilómetros, não é do nosso conhecimento que Espanha tenha qualquer tipo de plano de emergência para este risco”, diz à Renascença José Oliveira, director nacional do planeamento de emergência da Proteção Civil