FMI: vem aí novo corte nas indemnizações por despedimento

21 de novembro 2012 - 14:26

Em entrevista ao Diário de Notícias, o chefe da missão do FMI em Portugal diz que o Governo já se comprometeu a baixar ainda mais as indemnizações por despedimento. Abebe Selassie prefere não revelar as previsões para o desemprego e diz que o sistema de pensões é "generoso".

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Abebe Selassie, responsável do FMI pela aplicação do plano da troika em Portugal.

"Vocês têm um ministro das Finanças muito impressionante", disse entre risos o responsável do FMI pelo plano da troika em Portugal. Abebe Selassie confirmou que tem o compromisso do Governo para voltar a baixar as indemnizações por despedimento e afirma que o brutal aumento do IRS é "uma opção razoável" para implementar o programa da troika, do ponto de vista social.



Em entrevista ao Diário de Notícias, Selassie repete o ponto de vista do FMI, satisfeito com a quebra salarial e o estado da economia sob tutela da troika. O FMI volta a rejeitar a renegociação dívida e diz que o diálogo social o tem "impressionado".



Quanto à escalada do desemprego em Portugal, Selassie é muito mais cauteloso e recusa-se a avançar com previsões. "As projeções são de 15,5% de desemprego este ano e de 16,5% no próximo, mas a questão é o que acontecerá depois. Esperamos que, com a retoma do crescimento, o desemprego desça no médio prazo. Definir com precisão o quão rápido irá descer, depende…", afirma o responsável do FMI, depois de explicar que "preferia não avançar com números para a taxa de desemprego. O grau de incerteza é elevado".





Cortes no Estado social: Sistema de pensões é "generoso"



Questionado sobre os cortes de 4 mil milhões de euros que o Governo propõe nas despesas sociais, Selassie descarta responsabilidades e diz que "terão de ser vocês a decidir". Mas em seguida dá o exemplo da despesa com pensões, dizendo que "o sistema até é relativamente generoso face aos níveis de rendimento, mas a pobreza entre os mais idosos é um problema". Outro exemplo é  da escola pública, onde o FMI considera que "o dinheiro gasto e o número de professores por aluno tendem a ser muito elevados, mas nos resultados obtidos vocês estão na média ou até abaixo da média relativamente aos países de referência".



Sobre a política fiscal, Selassie afirma que "não gostava de ver mais aumentos de impostos", mas recusa voltar a baixar o IVA da restauração. No que respeita ao IRC, o FMI discutiu com o Governo a revisão deste imposto que considera "demasiado complexo". "São demasiadas camadas e incentivos, que muitas vezes não funcionam", acrescenta o responsável pelo FMI, prometendo conclusões nas próximas semanas.

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