Foi a maior ação do grupo que se intitula “Estado Islâmico” nos últimos três anos na Síria. Depois de dois bombistas suicidas terem iniciado a ação, cerca de cem combatentes atacaram a prisão de al-Sina, em Hassaké, no nordeste do país, contando com o apoio coordenado de um motim interno de parte dos quase 2.000 prisioneiros daquela organização que se encontravam aí detidos. Só depois de seis dias de combate as Forças Democráticas da Síria, coligação liderada pelas forças sírias curdas, conseguiram dominar a situação.
O porta-voz das FDS, Farhad Shami, garantiu esta quinta-feira “controlo total” das instalações e a rendição de “todos os ‘jihadistas’”. Mas o Observatório Sírio para os Direitos Humanos, apesar de ter confirmado que o grupo principal que ainda resistia no sótão de uma camarata se tinha rendido, indica que há zonas na prisão que ainda não foram verificadas, aventando a hipótese de poderem vir a existir mais focos de rebelião.
Do ataque resultaram, segundo o OSDH, 181 mortes, 124 membros do “Estado Islâmico”, 50 pertencentes às forças pró-curdas e sete civis. Sublinha-se ainda a fuga de vários detidos.
Durante os combates, o “Estado Islâmico” usou os cerca de 700 rapazes detidos como “escudo humano”. Estes adolescentes tinham sido recrutados pelo EI para integrar as “Crias do Califato”, um grupo de combatentes menores de idade utilizado em ataques suicidas e ações de sabotagem das linhas inimigas.
Shami justifica que estes jovens “na sua maioria não são sírios” e que inicialmente tinham estado em campos especiais feitos para os albergar, só depois tendo sido deslocados para a prisão. A organização não governamental Save the Children, que tem apoiado os adolescentes, confirma e critica os governos estrangeiros que recusam aceitar o seu regresso.
Por sua vez, Henrietta Fore, diretora executiva da Unicef, também refere que “os filhos de estrangeiros têm recebido pouco ou nenhum apoio dos seus países natais” mas aponta as suas criticas também às forças sírias curdas, pois no seu entender “estas crianças não deveriam nunca ter sido detidas em instalações militares”.