"Governo adia renegociação da dívida para destruir o Estado Social"

03 de outubro 2013 - 14:22

Em resposta às declarações de Cavaco Silva, que chamou "masoquistas" aos que dizem que a dívida portuguesa é insustentável, Catarina Martins defendeu que a direita tem "um discurso dúplice e hipócrita" sobre uma dívida que "sabem que não vão pagar".

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Governo está a usar a dívida como chantagem para destruir o Estado Social, alerta a coordenadora do Bloco de Esquerda.

A coordenadora bloquista falou aos jornalistas esta quinta-feira no Porto, onde participou no IV Congresso de Direito Fiscal. “Há um discurso dúplice e hipócrita da direita que é dizer que os sacrifícios são feitos em nome de pagar a dívida, quando sabem que isso não está a acontecer nem vai acontecer”, afirmou Catarina Martins à agência Lusa, respondendo às declarações de Cavaco Silva na véspera. “Sabemos hoje que não é possível pagar a dívida que Portugal tem. Tem de ser renegociado, senão é impagável”, prosseguiu, recordando as palavras do atual secretário de Estado Carlos Moedas em 2010, quando defendia o mesmo numa altura em que a dívida rondava os 80% do PIB, enquanto hoje está próxima dos 130%.

Para Catarina Martins, "o adiar da renegociação da dívida por parte do Governo só tem uma leitura: é um plano ideológico de destruição do salário e do Estado Social em Portugal". “Uma dívida tão alta só está a servir sistematicamente de chantagem para quebra de salários e pensões, e de cortes no Serviço Nacional de Saúde e na escola pública. Todos estes cortes não pagam a dívida. Portanto, nada a não ser um fanatismo ideológico pode explicar o que está a acontecer”, concluiu.

“A política recessiva é uma política que objetivamente aumenta a dívida e não controla o défice. O que tem acontecido é a utilização do argumento de chantagem do pagamento da dívida para fazer uma transferência de rendimentos do trabalho para o capital”, explicou a coordenadora bloquista.

Reforma do IRC serve para o capital pagar menos imposto

Comentando as conclusões da comissão liderada por Lobo Xavier, Catarina Martins diz que a proposta que o Governo irá aprovar tem apenas um objetivo: “o capital vai pagar menos impostos”.

“Dizem que isto tem de ser feito porque precisamos de investimento, mas um país que tem uma economia débil não gera investimento produtivo, que é o que precisamos”, acrescentou.

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