João Semedo e Marisa Matias estiveram nos Açores nesta sexta-feira e intervieram num jantar no Faial, juntamente com Lúcia Arruda, coordenadora do Bloco Açores e candidata às europeias, e com Jorge Kol Carvalho, mandatário da candidatura nos Açores.
“O nosso voto pode combater e derrotar a política de austeridade”
“Governo e troika só têm um argumento: a mentira. Não vivem de outra coisa. É por isso que um aluno mentiroso passa num exame de um professor mentiroso”, afirmou o coordenador do Bloco de Esquerda.
João Semedo exemplificou a sua afirmação, lembrando: “Disseram que não aumentavam impostos, mas aumentam o IVA. Disseram que não iam cortar nos rendimentos dos trabalhadores, mas aumentam a TSU dos trabalhadores, os seus descontos para a segurança social. Disseram que não iam cortar nas pensões, mas aprovam a nova contribuição de sustentabilidade. E, com uma diferença, é que é para sempre”.
O coordenador do Bloco considerou então que “não há mentira que sempre dure e a prova dos nove é a realidade”, salientando que há “mais de um milhão de desempregados”, que “nunca houve tanto desemprego”, “tanto pobre”, “uma queda tão grande da economia”, e cortes brutais nos serviços públicos. E frisou: “Ontem nas ruas, no 1º de Maio, os portugueses reprovaram a política do governo”.
João Semedo avisou também que o governo se prepara para anunciar nova mentira no próximo domingo e sublinhou “Não vai haver saída da troika, nem ela é limpa. Pode a troika sair do país, mas deixa cá o seu governo e a sua política de aumento de impostos e redução dos salários”.
O coordenador do Bloco afirmou também que “o nosso voto pode combater e derrotar esta política” e frisou: “Dia 25 ser de esquerda é ir votar contra a maioria de direita, numa política de esquerda e não de meias-tintas”.
A única forma de resolver a crise é colocar o emprego no centro da política
A eurodeputada Marisa Matias criticou também as declarações da troika e do governo, questionou “temos um milhão de desempregados e a nota da troika foi positiva” e afirmou: “Não há nada mais parecido com as notas da troika do que as notas de Miguel Relvas no seu curso”.
A eurodeputada condenou as políticas de austeridade, considerando que a austeridade provoca recessão, a recessão gera desemprego e o desemprego provoca desequilíbrio das contas públicas.
“A única forma de resolver a crise é colocar o emprego no centro da política”, destacou Marisa Matias e defendeu que para obter recursos para essa política é necessário reestruturar a dívida.
“A escolha que temos pela frente é a dívida ou o país. Nós escolhemos o país e ao defendermos o país também estaremos a defender a Europa”, sublinhou ainda Marisa Matias.
A eurodeputada opôs-se também ao tratado orçamental, “porque isso é prolongar a austeridade” e defendeu o referendo ao tratado, “para que seja debatido pelas pessoas e elas se possam pronunciar sobre a “austeridade durante mais 20 ou 30 anos”.
“Região Autónoma dos Açores não foi imune à política de austeridade”
Na sua intervenção, Lúcia Arruda afirmou que a Região Autónoma dos Açores, com o PS no governo regional, “não foi imune à política de austeridade”, recordou que há 25 mil desempregados na região e 60% desses desempregados não têm qualquer apoio social.
“Apesar dos relógios do Portas, conversas e mais conversas sobre saídas limpas, tudo não passa de um embuste. As políticas troikistas continuam cá dentro”, realçou a coordenadora do Bloco-Açores.
Lúcia Arruda lembrou também o efeito devastador das políticas comunitárias de redução da Zona Económica Exclusiva (ZEE), provocando “a destruição da frota pesqueira local, em nome dos interesses destrutivos das grandes multinacionais da pesca de arrasto” e destacou que o Bloco se opõe à redução da ZEE das 200 para as 100 milhas.