"O que temos aqui é o discurso de um Governo que adia para depois das eleições europeias as medidas de fundo, que vai tornar permanentes os cortes ditos temporários, e simultaneamente adiando o que vai fazer aos salários e pensões dos portugueses", disse a deputada do Bloco Cecília Honório, em declarações aos jornalistas no parlamento.
Na conferência de imprensa, a ministra Maria Luís Albuquerque anunciou que o montante dos cortes na despesa do Estado será equivalente a 0,8% do PIB, cerca de 1.400 milhões de euros, sem no entanto especificar onde serão aplicados. "O Governo veio falar em sucesso, e na verdade comprometeu-se com mais 1.400 milhões de euros de austeridade para o próximo ano", prosseguiu a deputada do Bloco.
"Há três anos o discurso era este, que era preciso cortar nas gorduras do Estado mas não cortar na vida das pessoas. E os portugueses bem sabem no que é que isto resultou", recordou Cecília Honório.
Em termos gerais, a ministra das Finanças separou a parcela de 320 milhões em cortes nos custos "com tecnologias de informação e comunicação", para além de consultorias e pareceres. Mais 180 milhões serão cortados com a redução do número de funcionários públicos através de rescisões e aposentações, e outros 170 com "os processos de reorganização, fusões, concessões, redução de indemnizações compensatórias" nas empresas públicas. A maior parcela, calculada em 720 milhões, virá da "redução de custos nos diversos ministérios com reorganizações, fusões, medidas de eficiência", resumiu Maria Luís Albuquerque, que acrescentou que estas medidas correspondem em grande parte ao processo de reforma do Estado "de que tanto se fala".
Mas as explicações de Maria Luís Albuquerque não convenceram o Bloco. "Há três anos o discurso era este, que era preciso cortar nas gorduras do Estado mas não cortar na vida das pessoas. E os portugueses bem sabem no que é que isto resultou: corte de salários, pensões, aumento de impostos. Cortou-se em todos os aspetos da vida das pessoas", recordou Cecília Honório em declarações à agência Lusa.