Gregos apoiam grupo que repõe eletricidade cortada

08 de agosto 2013 - 17:59

O movimento "não pagamos" está a mobilizar-se para ajudar a população que sofre com os cortes nos serviços básicos para sobreviver. O governo da troika corta a luz aos pobres e interpõe ações judiciais contra o movimento. Artigo publicado na Opera Mundi.

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Foto Robvini/Flickr

Os manifestantes descobriram na Grécia uma nova forma de protestar contra o governo e a política de austeridade na União Europeia. A organização "Não pagamos" está a repor de forma ilegal a energia elétrica de centenas de casas em regiões pobres do país que estavam sem luz por falta de pagamento.

O grupo reúne uma equipa de eletricistas e técnicos de informática que auxiliam os moradores das regiões mais populares a fazerem a famosa “puxada”. O governo grego, no entanto, não aceita as ações do “Não pagamos” e promete sanções: no total, já são mais de 100 ações judiciais contra o grupo.

Com mais de 10 mil adeptos, os manifestantes afirmam que o país vive “uma série de desligamento dos serviços básicos”, pois a população não consegue pagar os recibos por causa da crise económica no país. 27% da população ativa da Grécia está desempregada.

Após iniciar a reativação da energia elétrica, o grupo ganhou apoio maciço da população. Agora, pretendem discutir com o governo alternativas para reduzir os efeitos das medidas de austeridade.

"A Grécia está afundada na pobreza e, mesmo assim, apenas algumas famílias do mundo detém 99% da riqueza mundial. É isso queremos derrubar aqui na Grécia e em todo o mundo ", afirmou Ilias Papadopoulos, líder do grupo em entrevista à RT.

Em cada três jovens gregos, dois estão desempregados

A cada mês, a Grécia bate novamente um recorde. E não se trata de alguma marca heróica, mas da mensal constatação da profunda crise económica pela qual o país passa. De acordo com a agência de estatísticas da Grécia (Elstat), a taxa de desemprego subiu para 27,6% em maio -- em abril foi de 27%. No mesmo período do ano passado, o índice tinha sido de 23,8%.

Segundo os dados da Elstat, divulgados nesta quinta-feira, o desemprego entre as pessoas com idades entre 15 e 24 anos aumentou acentuadamente para 64,9% em maio, de 57,5% abril. Dos 25 aos 34 anos, 37,7%, enquanto que dos 35 aos 44 anos a taxa é de 24,7%. O registo de maio é o maior desde que o Elstat começou a publicar dados mensais de desemprego, em 2006.


Artigo publicado na Opera Mundi.

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