O Sindicato dos Estivadores, Trabalhadores do Tráfego e Conferentes Marítimos do Centro e Sul de Portugal marcou greve no porto de Lisboa, entre as 8 h de 27 de janeiro e as 8 h de 3 de fevereiro. A greve pode também afetar os portos de Setúbal e Figueira da Foz, se durante a greve forem desviados cargas ou navios para estes portos.
Em declarações à agência Lusa, o presidente do sindicato, António Mariano, disse que as “operações [portuárias] só irão parar se forem introduzidos trabalhadores estranhos” ao serviço, pelo que admite que a paralisação possa ter pouco impacto.
António Mariano sublinhou que esta greve tem a “ver com entrada em funcionamento de uma segunda empresa de trabalho portuário, com a introdução na operação de trabalhadores novos em substituição dos 47 despedidos em 2013”, o que considerou “ainda mais inaceitável” quando o sindicato estava em negociações com as empresas de estiva “para acertar o novo contrato coletivo de trabalho”.
No pré-aviso de greve (que pode ler na íntegra em pdf), o sindicato refere que as empresas estão a "habilitar profissionalmente outra mão-de-obra desnecessária ao sector" para substituir os "atuais trabalhadores portuários por outros trabalhadores a contratar, não só em condições precárias, como também em condições remuneratórias substancialmente inferiores".
Segundo o sindicato, as empresas têm violado a regulamentação coletiva em vigor para o trabalho portuário, por diversas formas.
A greve insere-se assim na longa luta dos trabalhadores portuários contra a liberalização e a precariedade (ler artigo relacionado abaixo).