António Medeiros, presidente do Sindicato Nacional dos Maquinistas (SMAQ), afirmou à Lusa que as expectativas do sindicato são que nesta sexta-feira, 5 de outubro, a greve paralise totalmente o transporte ferroviário, culminando uma semana de greves na CP.
As greves dos trabalhadores das empresas de transportes visam a defesa do serviço público e combatem a austeridade, os cortes nos salários, nos subsídios e no pagamento de horas extraordinárias.
Em declarações à Lusa, António Medeiros explicou na passada segunda feira que “o objetivo é lutar contra as medidas que anulam a contratação coletiva”, realçando que “é um protesto contra a empresa e contra as medidas do Governo”.
“Estão a colocar-nos numa situação de espoliação dos nossos salários, das nossas condições de vida e da nossa dignidade. Não podemos aceitar esta indignidade a que nos estão a sujeitar”, reforçou o dirigente sindical.
Na quinta feira, 4 de outubro, a greve provocou a supressão de 60 a 65% da circulação de comboios e teve uma adesão total entre os maquinistas da CP.
A Fectrans e o seu sindicato no setor (Sindicato nacional dos Trabalhadores do Sector Ferroviário) reafirmaram que cumprem os serviços mínimos, denunciaram as administrações da CP e da Refer, por tentarem “fazer passar a ideia para a opinião pública que os Sindicatos estavam a ameaçar não cumprir a lei no que se refere aos serviços mínimos” a 5 de outubro e acusaram as administrações da CP e da Refer por se terem “colocado à margem da lei nesta questão”.
Segundo a Fectrans, “o Tribunal Arbitral assumiu que só tem que ser cumpridos se não houverem outros serviços de transportes assegurados por outros modos e, amanhã dia 5 não existirão outras greves noutras empresas de transportes, pelo que para a esmagadora maioria dos destinos da CP podem, ser assegurados por outros modos alternativos, nomeadamente rodoviários”.
A Fectrans afirma ainda que o que está em causa é o “impedimento, ilegal, por parte das administrações do direito à greve dos trabalhadores ferroviários” e justificam: “se para a administrações das empresas ferroviárias e para o governo, o transporte ferroviário se sobrepõe ao direito à greve, então que reabram de imediato, o serviço em todas as linhas que foram encerradas, porque se outras razões não houvessem, esta só por si, para um governo com sentido de Estado, impunha-se”.