A iniciativa da Associação 25 de Abril, anunciada após a maioria PSD/CDS ter recusado dar a palavra aos Capitães de Abril na sessão selene dos 40 anos da Revolução em São Bento, trouxe milhares de pessoas à baixa lisboeta na manhã de sexta-feira. Boa parte da multidão não conseguiu entrar no Largo do Carmo, onde uma chaimite fazia lembrar o cenário de há 40 anos na rendição de Marcelo Caetano aos militares que fizeram a Revolução.
O presidente da Associação 25 de Abril defendeu no seu discurso que “este Governo tem de ser apeado sem hesitação”, caso não inverta “o caminho de submissão, austeridade e empobrecimento do país”.
O coordenador bloquista João Semedo trocou a sessão solene pela rua onde os militares de Abril voltaram a juntar-se ao povo numa praça cheia. A eurodeputada Marisa Matias e os históricos socialistas Manuel Alegre e Mário Soares também preferiram assistir à homenagem a Salgueiro Maia e ao discurso de Vasco Lourenço no Carmo.
"O Bloco entendeu que quando se comemora os 40 anos do 25 de Abril, o centro dessas comemorações devem ser a voz e a palavra dos capitães de Abril. Se as vozes dos militares e capitães se ouvem no largo do Carmo, eu escolhi o largo do Carmo para ouvir essa voz", disse João Semedo à agência Lusa, acusando PSD e CDS de serem responsáveis por uma decisão que constitui "o saldo lamentável de todo o processo dos 40 anos do 25 de Abril".
Vasco Lourenço: “Este Governo tem de ser apeado sem hesitação”
O presidente da Associação 25 de Abril defendeu no seu discurso que “este Governo tem de ser apeado sem hesitação”, caso não inverta “o caminho de submissão, austeridade e empobrecimento do país”. Vasco Lourenço criticou duramente Cavaco Silva - que enquanto primeiro-ministro recusou uma pensão a Salgueiro Maia - acusando-o de ser “um mero assistente passivo ou mesmo conivente, tardando em fazer uma leitura consequente da situação que se vive em Portugal”.
"Temos que ser capazes de aproveitar as armas da democracia e mostrar aos responsáveis pelo estado a que isto chegou um cartão vermelho que os expulse de campo. Não duvidemos que temos de ser capazes de expulsar os vendilhões do templo", defendeu Vasco Lourenço, apelando também à necessidade de "ultrapassar os sectarismos". Após o discurso cantou-se a “Grândola Vila Morena” e o hino nacional e os presentes deslocaram-se em seguida para a antiga sede da PIDE, numa homenagem aos mortos do 25 de Abril pelas balas da polícia política.