Israel bate recorde de colonização a 24 horas das “negociações”

13 de agosto 2013 - 14:46

A 24 horas do anunciado início das “negociações de paz” entre Israel e a Autoridade Palestiniana a parte israelita anunciou a construção de mais 942 casas em colonatos ilegais, fazendo subir para o número recorde de 3300 casas em apenas uma semana as acções de colonização.

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John Kerry diz que o anúncio da expansão dos colonatos "já era esperado". Foto Governo de Israel.

A equipa de negociadores palestinianos considera que se trata de uma manifestação de “negociar de má fé”, uma vez que a colonização é uma divergência fundamental entre as duas partes, mas não anunciou qualquer intenção de retirada do processo. O “mediador” John Kerry, secretário de Estado norte-americano, afirmou na Colômbia que “em certa medida o anúncio israelita já era esperado”.Só em Jerusalém Leste, o território palestiniano ocupado que, segundo os palestinianos, deverá ser a capital do futuro Estado da Palestina, o governo israelita anunciou a construção  de 1735 casas durante a última semana, contra 2380 em todo o ano de 2012, revelou a organização não governamental israelita Ir Amin.

Cerca de um terço das construções anunciadas serão levantadas no colonato de Gilo, a sul de Jerusalém, um dos grandes agregados de ocupação que envolve esta cidade e que já tem 40 mil habitantes. Este projecto é especialmente gravoso para os interesses palestinianos, uma vez que as novas construções representam uma ampliação que poderá isolar totalmente a comunicação entre Jerusalém Leste e a cidade palestiniana de Belém, na Cisjordânia, que dista apenas 15 quilómetros.

A imprensa israelita afirma que estas iniciativas se vêm desenvolvendo há vários meses e que não foram divulgadas antes por “receio das pressões diplomáticas externas”, embora pareçam ter sido guardadas para o momento do início das negociações.

Mark Regev, porta-voz do ministério israelita dos Negócios Estrangeiros, afirmou que “isto não altera nada” porque as novas construções “são em zonas que continuarão a fazer parte de Israel em qualquer futuro acordo de paz”.

Esta declaração representa uma negação das próprias negociações, uma vez que não há qualquer construção israelita legal nos territórios palestinianos ocupados em 1967 – as fronteiras que servem de base às negociações – nem a parte palestiniana aceitou o princípio da troca de territórios que Israel diz tencionar apresentar. As palavras de Regev traduzem a posição israelita de recomeçar as negociações dando factos ilegais como consumados, rejeitando a discussão sobre territórios que estão em disputa, como qualquer mediador identificado com a legalidade internacional não deixaria de sublinhar.

Nos bastidores diplomáticos diz-se que o “mediador” Kerry terá negociado com Netanyahu a não exigência de uma moratória da colonização em troca de uma colonização envolvendo apenas a ampliação de colonatos, acção que continua a violar o quadro de negociações como demonstram os casos em Jerusalém Leste e a asfixia de Belém.

Kerry terá conseguido que o governo israelita anunciasse a libertação de mais 26 presos políticos palestinianos na próxima madrugada, um facto que já não vem diminuir a tensão provocada pela intensificação da colonização.

O presidente palestiniano, Mahmud Abbas, considera que a sua equipa negociadora tem de comparecer, apesar de tudo, à mesa de negociações porque, segundo afirmou, há compromissos feitos pela Casa Branca que dão garantias de avanços, embora sem dizer quais numa situação como actual. A animosidade interna contra esta atitude de Abbas surge não apenas dos partidos da oposição em geral, mas da própria Fatah, a que o presidente pertence, onde se defende o abandono das negociações devido à “provocação” que a colonização representa.

 

Artigo publicado no portal do Bloco no Parlamento Europeu