João Salgueiro: argumentos utilizados a favor da privatização da CGD são “desastrosos”

11 de outubro 2012 - 13:32

Em entrevista à agência Lusa, o antigo presidente da Associação Portuguesa de Bancos e ex ministro de Estado do PSD adiantou que os argumentos que tem ouvido a favor da privatização da CGD são “desastrosos” e que uma venda parcial desta entidade "dificilmente corria bem".

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Foto de Paulete Matos.

"Há que não haver tabus nisto. É para discutir, discuta-se. Agora, os argumentos que tenho ouvido [a favor da privatização] são desastrosos", sublinhou João Salgueiro, que também já foi presidente da CGD.

"Ouvi dizer, tive até de ler três vezes, que era bom ter lá interesses privados para controlar a governamentalização excessiva. Isto não percebo! Nunca ouvi falar em ter interesses privados para controlar a qualidade da vida política. E se há necessidade de controlar a governamentalização, a Constituição tem mecanismos para isso", avançou ainda.

João Salgueiro defendeu também que a possibilidade de privatização parcial "é uma coisa muito difícil que corra bem", já que existirão "interesses privados que não serão do interesse do acionista maioritário". O antigo presidente da Associação Portuguesa de Bancos salientou ainda que "estar a vender nesta altura não é grande ideia", porque a CGD "deve valer muito menos do que valia, para aí um quinto ou um sexto".

Demonstrando a sua posição sobre a existência de um banco público, o ex ministro do PSD lembrou que “praticamente todos os países europeus o têm".

"Grande parte" dos ministros não tem “experiência de governo"

Segundo João Salgueiro, o primeiro ministro Pedro Passos Coelho escolheu para o seu governo "pessoas que conhecia", e "salta à vista que grande parte [dos ministros] não tem experiência de governo".

Adicionalmente, e com exceção de "duas ou três pessoas", a experiência de gestão dos ministros "é limitada, só de empresas pequenas ou médias".

"Houve pouca desconfiança quanto ao que se estava a passar no BPN"

Durante a entrevista à agência Lusa, João Salgueiro falou ainda sobre o caso BPN, defendendo que a falência do banco é um exemplo "notório" de má gestão que "as autoridades não viram a tempo".

"Houve pouca desconfiança quanto ao que se estava a passar no BPN", avançou.



 



 

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