"Há que não haver tabus nisto. É para discutir, discuta-se. Agora, os argumentos que tenho ouvido [a favor da privatização] são desastrosos", sublinhou João Salgueiro, que também já foi presidente da CGD.
"Ouvi dizer, tive até de ler três vezes, que era bom ter lá interesses privados para controlar a governamentalização excessiva. Isto não percebo! Nunca ouvi falar em ter interesses privados para controlar a qualidade da vida política. E se há necessidade de controlar a governamentalização, a Constituição tem mecanismos para isso", avançou ainda.
João Salgueiro defendeu também que a possibilidade de privatização parcial "é uma coisa muito difícil que corra bem", já que existirão "interesses privados que não serão do interesse do acionista maioritário". O antigo presidente da Associação Portuguesa de Bancos salientou ainda que "estar a vender nesta altura não é grande ideia", porque a CGD "deve valer muito menos do que valia, para aí um quinto ou um sexto".
Demonstrando a sua posição sobre a existência de um banco público, o ex ministro do PSD lembrou que “praticamente todos os países europeus o têm".
"Grande parte" dos ministros não tem “experiência de governo"
Segundo João Salgueiro, o primeiro ministro Pedro Passos Coelho escolheu para o seu governo "pessoas que conhecia", e "salta à vista que grande parte [dos ministros] não tem experiência de governo".
Adicionalmente, e com exceção de "duas ou três pessoas", a experiência de gestão dos ministros "é limitada, só de empresas pequenas ou médias".
"Houve pouca desconfiança quanto ao que se estava a passar no BPN"
Durante a entrevista à agência Lusa, João Salgueiro falou ainda sobre o caso BPN, defendendo que a falência do banco é um exemplo "notório" de má gestão que "as autoridades não viram a tempo".
"Houve pouca desconfiança quanto ao que se estava a passar no BPN", avançou.