Juiz quer acusar responsáveis pela segurança na linha de Compostela

21 de agosto 2013 - 15:28

O juiz de instrução do processo para apurar os responsáveis pelo acidente ferroviário que fez 79 mortos e mais de 150 feridos notificou a Adif - empresa que administra as infraestruturas ferroviárias - para apresentar os nomes dos responsáveis pela segurança naquele troço da linha. Mas a empresa diz que não entende a quem se refere o pedido do juiz.

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Acidente de Compostela fez 79 mortos e mais de 150 feridos. Foto Contando Estrelas/Flickr

Luis Aláez não tem dúvidas em apontar o maquinista como responsável pelo acidente, mas acrescenta que não foram tomadas as cautelas necessárias para o caso de falha humana, como "o estabelecimento de sinais visuais de pré-anuncio e anúncio de limitação de velocidade" naquele troço.

"Aos responsáveis por garantir a segurança da circulação ferroviária não podia passar despercebido o perigo real de desatenção, que poderia materializar-se no descarrilamento de um comboio que circula numa via até 200 kms/h com excesso de velocidade à chegada à curva de A Grandeira, de forma que lhes competia o dever de adotar as cautelas adequadas à situação", assinala o juiz no auto de acusação, citado pelo site publico.es.

 

Quem irá juntar-se ao maquinista no banco dos réus?

As balizas que o juiz sugere no auto como podendo evitar o acidente foram instaladas pela Adif uma semana depois da tragédia de Compostela. Nas conclusões, Luis Alaéz declara que "a causa essencial do descarrilamento do comboio foi a condução indevida levada a cabo por Francisco Garzón Amo por circular em excesso de velocidade para aquela via" mas também "existiu uma omissão de cautelas elementares por parte de quem tem a missão de garantir a segurança da circulação ferroviária naquela linha, o que constitui uma impriudência punível" por lei. Na prática, este auto significa que muito provavelmente o maquinista não estará sozinho no banco dos reus. 

Esta é agora a pergunta que todos fazem. O juiz Alaéz notificou a Adif para indicar os responsáveis pela segurança do troço onde se deu o acidente no dia 24 de julho, mas a empresa diz que ainda não sabe quando poderá dar resposta ao juiz nem quando poderá indicar os nomes das pessoas responsáveis pela segurança. 

"A assessoria jurídica está a avaliar o auto porque não está muito claro quais são as pessoas que o juiz pede e teremos de clarificar isso com o tribunal", disse uma fonte da Adif à Europa Press.

 

Deputada do PP que ia no comboio quer demissão dos presidentes da Renfe e Adif

Uma das vítimas de ferimentos no acidente de Compostela foi a deputada do Partido Popular na Assembleia de Madrid, María Tereza Gómez-Limón. A deputada recusa-se a aceitar que o maquinista seja o único culpado pelo acidente e pede as demissões dos responsáveis máximos pela segurança da linha (Adif) e da empresa ferroviária (renfe) enquanto "máximos responsáveis por todos os erros que se cometam nas suas empresas, não a nível penal, mas por responsabilidade civil".

A deputada do PP contesta também a decisão do seu partido de não abrir uma comissão parlamentar de inquérito ao acidente e exige saber a razão da mudança do sistema de segurança "sem que ninguém desse conta". "Apanhas um comboio sem saberes os riscos que corres. E parece-me inaudito que três dias depois do acidente ponham o sistema (ERTMS). Porque é que não o puseram antes? Se achavam que era bom três dias depois também o era três dias antes e tinha-se evitado 79 mortes", lamenta a deputada.