Luis Aláez não tem dúvidas em apontar o maquinista como responsável pelo acidente, mas acrescenta que não foram tomadas as cautelas necessárias para o caso de falha humana, como "o estabelecimento de sinais visuais de pré-anuncio e anúncio de limitação de velocidade" naquele troço.
"Aos responsáveis por garantir a segurança da circulação ferroviária não podia passar despercebido o perigo real de desatenção, que poderia materializar-se no descarrilamento de um comboio que circula numa via até 200 kms/h com excesso de velocidade à chegada à curva de A Grandeira, de forma que lhes competia o dever de adotar as cautelas adequadas à situação", assinala o juiz no auto de acusação, citado pelo site publico.es.
Quem irá juntar-se ao maquinista no banco dos réus?
As balizas que o juiz sugere no auto como podendo evitar o acidente foram instaladas pela Adif uma semana depois da tragédia de Compostela. Nas conclusões, Luis Alaéz declara que "a causa essencial do descarrilamento do comboio foi a condução indevida levada a cabo por Francisco Garzón Amo por circular em excesso de velocidade para aquela via" mas também "existiu uma omissão de cautelas elementares por parte de quem tem a missão de garantir a segurança da circulação ferroviária naquela linha, o que constitui uma impriudência punível" por lei. Na prática, este auto significa que muito provavelmente o maquinista não estará sozinho no banco dos reus.
Esta é agora a pergunta que todos fazem. O juiz Alaéz notificou a Adif para indicar os responsáveis pela segurança do troço onde se deu o acidente no dia 24 de julho, mas a empresa diz que ainda não sabe quando poderá dar resposta ao juiz nem quando poderá indicar os nomes das pessoas responsáveis pela segurança.
"A assessoria jurídica está a avaliar o auto porque não está muito claro quais são as pessoas que o juiz pede e teremos de clarificar isso com o tribunal", disse uma fonte da Adif à Europa Press.
Deputada do PP que ia no comboio quer demissão dos presidentes da Renfe e Adif
Uma das vítimas de ferimentos no acidente de Compostela foi a deputada do Partido Popular na Assembleia de Madrid, María Tereza Gómez-Limón. A deputada recusa-se a aceitar que o maquinista seja o único culpado pelo acidente e pede as demissões dos responsáveis máximos pela segurança da linha (Adif) e da empresa ferroviária (renfe) enquanto "máximos responsáveis por todos os erros que se cometam nas suas empresas, não a nível penal, mas por responsabilidade civil".
A deputada do PP contesta também a decisão do seu partido de não abrir uma comissão parlamentar de inquérito ao acidente e exige saber a razão da mudança do sistema de segurança "sem que ninguém desse conta". "Apanhas um comboio sem saberes os riscos que corres. E parece-me inaudito que três dias depois do acidente ponham o sistema (ERTMS). Porque é que não o puseram antes? Se achavam que era bom três dias depois também o era três dias antes e tinha-se evitado 79 mortes", lamenta a deputada.