Maioria dos trabalhadores rejeita pagamento de subsídios por duodécimos

07 de fevereiro 2013 - 18:12

A maioria dos trabalhadores do setor privado rejeitou o regime de pagamento dos subsídios de férias e de Natal por duodécimos, contrariando o objetivo do PSD/CDS-PP de, no futuro, vir a acabar definitivamente com o pagamento destes subsídios.

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Foto de José Sena Goulão/Lusa

Sob o pretenso argumento de diminuir o impacto da crise “junto das famílias e das empresas", o governo aprovou uma lei que determina que 50% dos subsídios de férias e de Natal do setor privado devem ser pagos em duodécimos.

O diploma, que entrou em vigor a 29 de janeiro, e que foi considerado pelo novo secretário de Estado do Emprego como um “sucesso completo e total”, contém, no entanto, uma cláusula que possibilitava que os trabalhadores rejeitassem o pagamento dos subsídios em duodécimos mensais, optando pelo pagamento integral dos mesmos.

Até 4 de fevereiro, prazo limite imposto para que os trabalhadores se pronunciassem sobre a fórmula de pagamento a ser aplicada, a maioria dos trabalhadores do setor privado rejeitou os duodécimos.

Na Autoeuropa, quase a totalidade dos trabalhadores (99%) optou por receber de forma integral, de maneira a fazer frente a despesas fixas como seguros ou livros escolares. O mesmo aconteceu na Lankhorst Euronete, ligada à cordoaria, onde 92,5% dos 709 trabalhadores preferiram receber os subsídios por inteiro.



Na empresa turística Douro Azul, apenas 30% dos funcionários aderiu aos duodécimos, segundo avança o jornal Público.

O vice-presidente da Associação dos Industriais Metalúrgicos, Metalomecânicos e Afins de Portugal (AIMMAP), Rafael Campos Pereira, citado pelo mesmo jornal, confirmou, por sua vez, que nas empresas associadas, que empregam cerca de 60 mil trabalhadores, "cerca de 70% dos trabalhadores preferiram receber os subsídios por inteiro".

Também o diretor geral da Associação Têxtil e Vestuário de Portugal (ATP), Paulo Vaz, adiantou que “a maioria das empresas associadas”, com perto de 140 mil trabalhadores, não vai pagar em duodécimos "a pedido dos trabalhadores".

Nos serviços, e segundo fonte oficial da Confederação dos Serviços de Portugal, também existiram “mais pessoas a pedir para manter o regime antigo".

Segundo o Dinheiro Vivo, o mesmo aconteceu no Grupo Amorim, onde a maioria dos trabalhadores não abdicaram dos subsídios integrais, e no maior grupo de calçado - Kyaia, onde muitos trabalhadores recebem o salário mínimo nacional.