Sob o pretenso argumento de diminuir o impacto da crise “junto das famílias e das empresas", o governo aprovou uma lei que determina que 50% dos subsídios de férias e de Natal do setor privado devem ser pagos em duodécimos.
O diploma, que entrou em vigor a 29 de janeiro, e que foi considerado pelo novo secretário de Estado do Emprego como um “sucesso completo e total”, contém, no entanto, uma cláusula que possibilitava que os trabalhadores rejeitassem o pagamento dos subsídios em duodécimos mensais, optando pelo pagamento integral dos mesmos.
Até 4 de fevereiro, prazo limite imposto para que os trabalhadores se pronunciassem sobre a fórmula de pagamento a ser aplicada, a maioria dos trabalhadores do setor privado rejeitou os duodécimos.
Na Autoeuropa, quase a totalidade dos trabalhadores (99%) optou por receber de forma integral, de maneira a fazer frente a despesas fixas como seguros ou livros escolares. O mesmo aconteceu na Lankhorst Euronete, ligada à cordoaria, onde 92,5% dos 709 trabalhadores preferiram receber os subsídios por inteiro.
Na empresa turística Douro Azul, apenas 30% dos funcionários aderiu aos duodécimos, segundo avança o jornal Público.
O vice-presidente da Associação dos Industriais Metalúrgicos, Metalomecânicos e Afins de Portugal (AIMMAP), Rafael Campos Pereira, citado pelo mesmo jornal, confirmou, por sua vez, que nas empresas associadas, que empregam cerca de 60 mil trabalhadores, "cerca de 70% dos trabalhadores preferiram receber os subsídios por inteiro".
Também o diretor geral da Associação Têxtil e Vestuário de Portugal (ATP), Paulo Vaz, adiantou que “a maioria das empresas associadas”, com perto de 140 mil trabalhadores, não vai pagar em duodécimos "a pedido dos trabalhadores".
Nos serviços, e segundo fonte oficial da Confederação dos Serviços de Portugal, também existiram “mais pessoas a pedir para manter o regime antigo".
Segundo o Dinheiro Vivo, o mesmo aconteceu no Grupo Amorim, onde a maioria dos trabalhadores não abdicaram dos subsídios integrais, e no maior grupo de calçado - Kyaia, onde muitos trabalhadores recebem o salário mínimo nacional.