Segundo divulga o Diário de Notícias, Portugal perdeu, no espaço de um ano, 197.400 trabalhadores por conta de outrem, mas só há mais 129.471 inscritos nos centros de emprego. O jornal sugere que a explicação está no aumento da emigração: 200 mil pessoas saíram do país no último ano e meio.
Já os que ficam, ganham cada vez menos. O número de trabalhadores que recebem menos de 310 euros líquidos mensais cresceu mais de 4 por cento entre setembro de 2011 e igual mês de 2012. São já mais de 155 mil pessoas nesta situação.
Os dados são do INE mostram, ainda, que mais de um terço dos trabalhadores leva para casa, todos os meses, menos de 600 euros.
O sector dos serviços é o campeão dos salários baixos. O sector reúne 69 por cento do total dos trabalhadores por conta de outrem e 87,5 por cento dos vencimentos mais baixos. Ou seja, trata-se de um universo de 135.700 pessoas que ganham menos de 310 euros. Já na agricultura são só 8000, segundo os dados do INE citados pelo DN.
O Norte tem 35 por cento dos trabalhadores por conta de outrem, mas apenas 29 por cento dos salários acima de 1200 euros. Já Lisboa tem 28 por cento dos trabalhadores e assegura 39,6 por cento das remunerações mais altas.
Baixar salários “faz parte da matriz ideológica do programa da troika”
Um economista e professor universitário ouvido pelo Dinheiro Vivo explica que a precariedade está na origem destes salários tão baixos. O aumento do número de pessoas com remunerações inferiores ao salário mínimo nacional deve-se, segundo Luís Bento, em parte ao crescimento do trabalho a tempo parcial, tendência que vem acentuando-se nos últimos dois anos.
O especialista em Recursos Humanos acredita que uma boa parte dos casos se devam a um acréscimo "muito significativo do incumprimento do mínimos salariais pelas empresas que se aproveitam de haver menos oferta do que procura". O problema, diz o economista, é que para um lugar de 600 euros, os empresários "têm hoje, se calhar, 150 pessoas dispostas a aceitá-lo por 400 euros e mais 200 ou 300 por 250 euros".
Para Luís Bento, estes números provam, antes de mais, que "não há cruzamento de dados entre a Segurança Social, o INE e a Autoridade para as Condições do Trabalho" e, sobretudo, que esta entidade "não está a atuar".
Esta "espiral de empobrecimento" deverá intensificar-se em 2013, com o incumprimento das metas da troika, admite. Para além de se assistir a uma "diminuição muito significativa" do valor dos salários oferecidos pelos novos postos de trabalho criados.
Luís Bento disse então que a situação de baixa de salários vai agravar-se em 2013. Segundo o especialista, “faz parte da matriz ideológica do programa da troika promover uma diminuição forçada dos custos do trabalho, tentando melhorar a competitividade externa das empresas à custa dos salários”.
“O custo da mão-de-obra em Portugal já se aproxima muito do da Roménia e no fim do 1º semestre já teremos os salários mais baixos da EU”, vaticinou. Luís Bento explicou que o custo salarial é 5 a 6 por cento superior ao da Roménia, mas “com o aumento de impostos e a implementação das medidas do OE, de certeza que antes do fim do primeiro semestre já teremos reduzido mais de 5 por cento o custo do trabalho”.
Com Portugal a aproximar-se, a passos largos, de ser o país com os salários mais baixo da UE, o economista refuta a teoria dominante, de que a competitividade das empresas se faz reduzindo o custo do trabalho. "Se o foco fosse esse, começava-se pelos custos energéticos e de transporte, porque os salários representam, apenas, 18 por cento dos custos totais das empresas".
Mais de 155 mil trabalhadores recebem menos de 310€
14 de janeiro 2013 - 11:23
Dados do INE indicam que o número de trabalhadores que recebem menos de 310€ líquidos mensais cresceu mais de 4%, entre setembro de 2011 e igual mês de 2012, e que mais de um terço das pessoas leva para casa, todos os meses, menos de 600€. Especialista afirma que o custo da mão-de-obra em Portugal já se aproxima muito do da Roménia e que no fim do 1º semestre já teremos os salários mais baixos da UE.
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Foto de Paulete Matos.