Com as “nascentes” espalhadas por Sintra, Almada, Barreiro, Cascais, Vila Franca, Algés, para além de muitos pontos de Lisboa, milhares de pessoas saíram à rua na noite de 24 de abril, em resposta ao apelo “Todos os rios vão dar ao Carmo”.
O Largo do Carmo encheu com a chegada dos vários rios, que animaram à sua passagem o centro da cidade com música, poesia e muitos cartazes de protesto. Um desses “rios” foi o do movimento Que se Lixe a Troika, que partiu do Tribunal Constitucional. À porta, os ativistas leram alguns dos artigos da Constituição que o atual governo tem posto em causa, antes de seguirem caminho para o Carmo, com passagem pelo Ministério da Economia e a antiga sede da PIDE.
Outro dos “rios” veio de comboio para reivindicar também o direito aos transportes públicos, com dezenas de manifestantes viajando sem bilhete rumo à estação do Rossio no “Comboio da Liberdade”. Alguns dos 21 “rios” foram convocados por iniciativa de movimentos de estudantes, precários, LGBT, associações culturais e de solidariedade.
A par do"rio Curto e Grosso 450", organizado pela Associação de Estudantes da Faculdade de Belas Artes, a iniciativa dos “Estudantes ao Carmo” partiu do mesmo local para reclamar o “direito constitucional à educação, pela escola democrática e pela democracia na escola”. O “rio” “Capitães Queer”, no Largo do Príncipe Real, quis deixar a mensagem de que “Nenhuma Família é Ilegal e que No Armário Só a Austeridade”. O mesmo ponto de encontro foi escolhido “para celebrar Abril fora das horas dos patrões e fora dos corredores do poder” pelo “rio” “Prec’s Not Dead”.
“Exigimos hoje, como antes, direito a vidas dignas recusando a exploração, com direitos de habitação e usufruto da cidade, não queremos ser discriminadas, queremos viver e construir Abril todos os dias”, resumia a convocatória do rio “Só há liberdade a sério quando houver”, promovido por associações feministas, contra a precariedade e pelo direito à habitação.