Mariana foi ao Minho acusar o Governo de “lavar as mãos” dos despedimentos

17 de janeiro 2025 - 16:47

Em visita à fábrica da Cablerías, em risco de encerramento, Mariana Mortágua salientou que o Governo diz que “nada pode fazer” e que “não deve nem pode interferir na economia” face à onda de despedimentos, mas depois intervém para prolongar contratos de aeroportos, de portos ou mudar a lei dos solos para haver mais especulação imobiliária.

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Cablerías
Mariana Mortágua com trabalhadoras da Cablerías. Fotografia de Bruno Moreira

Mariana Mortágua visitou esta sexta-feira a fábrica da Cablerías, de Valença do Minho, que produz componentes automóveis, onde 250 postos de trabalho estão ameaçados. Na próxima terça-feira, uma assembleia de credores decidirá o futuro da empresa. Aos jornalistas explicou que a fábrica “está a produzir, tem clientes e neste momento até aumentou um turno para poder responder a todas as necessidades dos clientes”, mas que “ainda assim vai fechar deixando centenas de pessoas sem trabalho”.

A coordenadora do Bloco salienta que “não é a única” e este encerramento se insere numa “vaga ainda meio silenciosa de despedimentos no país, sobretudo no setor têxtil e automóvel”.

O Bloco de Esquerda está preocupado “por causa dos trabalhadores e por causa da economia” e critica que o Governo “diga que não deve nem pode interferir na economia, que não tenha uma palavra nem uma ação para estas empresas que fecham, mas ao mesmo tempo seja tão célere em prolongar contratos de aeroportos, prolongar contratos de portos, mudar a lei dos solos para haver mais especulação imobiliária”; interferindo na economia para criar “uma economia de rendas, de especulação e não de produção e de valor acrescentado”. E isto enquanto “perante despedimentos de empresas cruciais para a indústria e para a economia portuguesa, lava as mãos e diz que nada pode fazer”.

O partido contrapõe a esta situação um plano de emergência que passa por medidas como ter mecanismos urgentes para os despedimentos para garantir que “os trabalhadores não ficam numa situação de não conseguir pagar as suas contas num curto prazo, de água, de luz, até encontrarem uma solução de transição”. Pretende-se ainda alterar os cortes do tempo da troika e ter “regras especiais porque há setores particulares que estão a ser muito afetados”.

Para além disto, é preciso fazer requalificação dos trabalhadores e compreender “o que é que o Estado pode fazer para preservar o setor industrial”.

O partido comprometeu-se ainda a apresentar a proposta de um debate a nível europeu no Parlamento Europeu “para encontrar uma proposta que a nível europeu impeça as empresas que tiveram apoios europeus, PRR e outros, e que tenham lucros, de despedir em massa, como estão a fazer agora a nível europeu”.