Segundo Manuel de Lemos, “um número crescente de misericórdias” começa “a ter dificuldades de sustentabilidade para poder responder aos serviços que já prestavam”, situação esta que é agravada pelo “aparecimento do paradigma dos novos pobres”.
“A crise está a ser muito longa e muito grande e, portanto, há muitas misericórdias a entrar no vermelho. A nossa capacidade de ajudar tem limites. Em algumas Misericórdias estamos em cima dele”, revelou o presidente da União das Misericórdias.
"Procuram-nos os que sempre nos procuraram, as crianças, os doentes, os idosos e deficientes mas agora há um novo perfil de pessoas que nos procuram, os desempregados de longa duração, há famílias inteiras de pessoas que estão desempregadas e vão pedir comida às nossas casas, pedem também apoio para os livros dos filhos e nós não temos recursos para isso", alertou.
"Há dois ou três anos pedia-se às Misericórdias que tomassem conta das crianças ou dos idosos. Hoje, quem nos procura quer comer, roupas ou livros para a escola", sublinhou ainda.
Manuel de Lemos garantiu que o "drama social" que se vive à porta das 400 Misericórdias portuguesas "tem aumentado exponencialmente", culpando o governo por "não ter sido capaz de acompanhar as consequências da crise".
“A nossa capacidade para ajudar está no limite”, frisou, assumindo não ver “forma de as Misericórdias continuarem a ajudar” caso sejam aprovadas as novas medidas de austeridade anunciadas pelo primeiro ministro.