Monarquia do Bahrein reprime manifestantes

18 de fevereiro 2011 - 0:24

Milhares foram evacuados à força da praça central da capital pela polícia, apoiada por tanques do exército. Pelo menos seis pessoas já morreram e cerca de 300 ficaram feridas. Deputados xiitas abandonam conselho dos representantes em protesto.

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Manifestção no Bahrein. Foto de malyousif, FlickR

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O governo do Bahrein enviou, na madrugada de quinta-feira, tanques e forças policiais para evacuar à força milhares de manifestantes que ocupavam a praça central de Manama, capital do país, onde se têm concentrado os protestos.

A polícia usou armas de fogo – há informações de que não terão sido usadas apenas balas de borracha mas também balas convencionais – gás lacrimogéneo e cassetetes para dispersar os manifestantes, entre os quais havia mulheres e crianças, e impedir que se reeditasse a experiência da Praça Tahrir do Egipto. Pelo menos seis pessoas já morreram e cerca de 300 ficaram feridas.

O ministro do Interior, Rashed bin Abdullah al-Khalifa, anunciou no canal de televisão estatal que estão proibidos novos protestos e alertou que o Exército tomará todas as medidas necessárias para garantir a segurança. A praça central foi cercada de militares e de arame farpado.

Os manifestantes estavam acampados desde terça-feira e acusaram a polícia de agir sem qualquer aviso. Eles pedem a libertação dos prisioneiros políticos, a criação de empregos e a construção de casas populares, o estabelecimento de um Parlamento mais representativo, uma nova Constituição e um novo governo que não inclua o actual primeiro-ministro, no cargo há 40 anos.

Monarquia absolutista

Antigo protectorado militar e comercial britânico, o Bahrein obteve a independência em 1971 e transformou-se num emirado, governado pelo rei Hamad bin Isa Al Khalifa, num regime de monarquia absolutista.

O país é um arquipélago situado no Golfo Pérsico, a leste da Arábia Saudita e a noroeste do Qatar, com 791 mil habitantes. Setenta por cento da população é xiita, mas a monarquia reinante é sunita, o que terá também alimentado os protestos. O actual primeiro-ministro, Khalifa bin Salman Ali Khalifa, é o mesmo desde 1971, e pertence à família real, bem como a totalidade do gabinete.

A produção e a refinação de petróleo, descoberto em 1932, representa aproximadamente 60% das exportações, 60% dos rendimentos do governo local e 30% do PIB.

Monarquias do Golfo apoiam

Entretanto, os chefes das diplomacias dos países do Conselho de Cooperação do Golfo (CCG) deram o seu apoio ao governo do Bahrein “no plano político, económico, de segurança e de defesa". O CCG é formado pelo Bahrein, a Arábia Saudita, os Emirados Árabes Unidos, Omã, Qatar e Kuwait. "A nossa segurança é uma responsabilidade colectiva e está fora de questão aceitar ingerências externas", afirma o comunicado distribuído.

O bloco xiita no conselho dos representantes do Bahrein, que tem 18 deputados sobre um total de 40, anunciou que vai abandonar a instituição. O movimento xiita Al-Wefaq já tinha suspendido na terça-feira a participação no conselho, em reacção à morte de dois manifestantes durante a repressão dos protestos anti-governamentais.