Durante a sessão de abertura das Jornadas Autárquicas, a coordenadora do Bloco de Esquerda frisou que este encontro irá “centrar o debate sobre as autárquicas no que é essencial - a proposta política - lançando dois temas essenciais: resgatar a democracia local e responder à emergência social”.
A dirigente bloquista esclareceu ainda que, na senda do que foi decidido na última Convenção, o Bloco apresentar-se-á em listas próprias nas próximas eleições autárquicas, que terão lugar em outubro, “indo à luta com as suas propostas e as suas ideias”. O Bloco de Esquerda não ficará, contudo, e segundo adiantou Catarina Martins, “fechado” nesse modelo, já que “sempre se construiu na abertura”.
“O caminho será, sempre que for possível, coligações com toda a esquerda”, salientou, avançando também que o Bloco apoiará, em cada concelho, em cada freguesia, e “sempre que existir essa possibilidade e tiver sentido”, movimentos de cidadãos que se queiram candidatar e que chamará independentes de todas as áreas que possam discutir com o Bloco “no concreto de cada concelho e de cada freguesia qual é a proposta política que o Bloco de Esquerda apresenta à população, que é o seu compromisso, e pelo qual vai lutar durante o mandato”.
“Esta abertura permitirá fortalecer as nossas propostas, fortalecer o trabalho dos nossos autarcas quando forem eleitos, porque terão muitas mais pessoas à sua volta nesse trabalho, e vamos fortalecer-nos enquanto partido porque seremos maiores, com mais ideias, com mais propostas, com mais capacidade de intervenção. E é por isso que este percurso do debate das ideias é tão importante”, salientou a deputada do Bloco.
Catarina Martins garantiu o “empenho e compromisso do Bloco contra “a reforma [administrativa] a martelo de Miguel Relvas”. “Não dizemos que nada deve ser mudado, nunca o dissemos, nós queremos transformar este país. Queremos um país mais justo, com mais democracia, com mais representatividade, com mais Democracia. O que dissemos, é que não se cortam freguesias a régua e esquadro, porque não tem sentido”, destacou.
Para o Bloco, a solução passa por “dar a voz às populações”, mediante a realização de referendos locais, e aceitar que as populações decidam, sendo que o Bloco se empenhará “no apoio a todas as freguesias que decidam impugnar o seu processo de extinção ou fusão com outras”.
A coordenadora do Bloco deixou ainda outra garantia: a oposição do Bloco à nova lei das finanças locais que, segundo Catarina Martins, é uma “lei mal feita, que cria problemas novos, que retira capacidade ao poder local de dar respostas aos problemas das pessoas e que retira receitas às autarquias e inventa uma nova receita que ninguém sabe sequer o que será – O IMI rústico”.
O Bloco irá, neste sentido, “votar contra esta lei e apresentar alternativas”, asseverou a dirigente bloquista, exemplificando com a exigência de existir transparência nas contas, de as competências do poder local corresponderem à transferência de recursos para o poder local, e de as freguesias serem dotadas de autonomia face aos concelhos.
“O país não aguenta mais alternância ou jogos de personalidades”
“Há uma Esquerda que se fortalece neste país. E fortalece-se na construção da proposta e da alternativa, e essa esquerda é o Bloco de Esquerda. Não vamos aqui discutir alternâncias de nomes sem se vislumbrarem quaisquer mudanças na política. Estamos aqui para dar resposta a sério. Não fazemos nenhum jogo do bloco central de interesses. Nunca foi esse o motivo pelo qual viemos para a política”, frisou Catarina Martins durante a sua intervenção.
“O país não aguenta mais alternância ou jogos de personalidades”, reforçou a dirigente bloquista. “No poder local como no país, o que estamos aqui a fazer é a construir alternativa, é a construir resposta, é a ficarmos mais fortes para uma luta grande sobre democracia, sobre a resposta social às pessoas sobre aquilo que é o nosso futuro”, garantiu.
Catarina Martins fez ainda referência às declarações de Pedro Passos Coelho, proferidas esta sexta feira, afirmando que “Passos Coelho não tinha pensado nos efeitos recessivos dos cortes de 4 mil milhões de euros que o governo quer impor”, e que o primeiro ministro não se quer “prender nesses pormenores”. Para Passos Coelho, o plano é simples: “é só cortar no Estado, seguindo os conselhos ‘dos Ulrich’s’ que acham que ser sem abrigo é normal, pois é uma forma de aguentar” e de Américo Amorim, que defendeu este sábado que o 25 de abril foi uma crise e "uma chatice", avançou a dirigente bloquista.
“É tempo do essencial, e o essencial tem que ser a resposta às pessoas: o direito à Habitação, à Educação, à Saúde”, defendeu Catarina Martins. “O valor do nosso trabalho, os nossos impostos, não podem ir para recapitalizar bancos porque os accionistas privados não se querem chegar à frente e que depois não têm nenhuma obrigação de investir na economia”, avançou.
“Sabemos onde está o dinheiro, para onde ele está a ir, sabemos que há alternativa e sabemos que é preciso dar resposta ao nível nacional e ao nível local”, rematou.
No domingo, os bloquistas vão aprovar um manifesto eleitoral autárquico. A sessão de encerramento dos trabalhos das jornadas autárquicas Bloco, que terá lugar pelas 12h45, contará com a intervenção do coordenador do Bloco de Esquerda, João Semedo.