“Na investigação científica, a máxima precariedade é a regra”

16 de abril 2014 - 11:55

O inquérito realizado pela Associação de Combate à Precariedade – Precários Inflexíveis, que reuniu mais de 1800 respostas, evidencia que 77,8% dos investigadores nunca tiveram um contrato de trabalho, 50,2% dos bolseiros acumulam entre 5 e 15 anos nesta condição e apenas 21,5% dos bolseiros não põem a hipótese de emigrar.

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Foto de Precários Inflexíveis.

Os dados recolhidos no inquérito desenvolvido no âmbito do Roteiro Contra a Precariedade na Investigação Científica demonstram que “a grande maioria dos investigadores são eternos bolseiros, dificilmente têm acesso a um contrato de trabalho e perante a sua condição precária, pretendem emigrar”.

Segundo avança a Associação de Combate à Precariedade – Precários Inflexíveis (ACP-PI), 69% dos investigadores são bolseiros e apenas 15,7% têm um vínculo laboral.

“Na investigação científica, a máxima precariedade é a regra”, frisa a Associação, adiantando que “apenas uma minoria [dos investigadores] tem acesso a trabalho com direitos, uma vez que as bolsas e a precariedade eternizam-se”. De facto, o documento revela que 77,8% dos investigadores nunca tiveram um contrato de trabalho e 50,2% dos bolseiros acumulam entre 5 e 15 anos nesta condição.

“Ser investigador em Portugal é andar de bolsa em bolsa, sem vislumbrar a possibilidade de integração numa unidade de investigação”

“Ser investigador em Portugal é andar de bolsa em bolsa, sem vislumbrar a possibilidade de integração numa unidade de investigação”, destacam também os ativistas, referindo que 62,7% dos investigadores acumularam duas ou mais bolsas na mesma unidade de investigação.

O inquérito realizado on-line, que reuniu mais de 1800 respostas em apenas um mês, evidencia ainda que 79,5% dos investigadores que estiveram desempregados não tiveram acesso a proteção social no desemprego, o que leva a ACP-PI a concluir que “na investigação científica, a desproteção social no desemprego é massiva”.

“Na investigação científica, a desproteção social no desemprego é massiva”

Mediante as condições de precariedade laboral e o desemprego, apenas 21,5% dos bolseiros rejeitam a hipótese de emigrar. “O risco da 'fuga de cérebros' é iminente, considerando que até uma maioria daqueles que têm um contrato de trabalho, muitas vezes precário, pondera emigrar”, assinala a ACP-PI.

O relatório com os resultados deste inquérito irá ser remetido ao Ministro da Educação e Ciência, Nuno Crato, e ao Presidente da Fundação para a Ciência e Tecnologia, Miguel Seabra. A ACP-PI irá ainda solicitar uma reunião com carácter de urgência.