O Instituto Nacional de Estatística apresentou na sexta feira os principais resultados do estudo “Índice de Bem-estar para Portugal” (IBE), que se realizou pela primeira vez. Este índice, que abrange o período de 2004 a 2011, apresentando resultados preliminares para o ano de 2012, aponta para um aumento do IBE entre 2004 e 2011, estimando-se uma ligeira redução em 2012.
O estudo tem em conta dois índices sintéticos distintos: Condições materiais de vida e Qualidade de vida, que apresentaram percursos contrários, com o primeiro a apresentar uma tendência decrescente, que se intensificou de 2010 para 2012, e o segundo a apresentar uma tendência crescente.
Dos 10 domínios que integram o IBE, a Educação, a Saúde e o Ambiente são os indicadores que registam uma evolução mais favorável. Por outro lado, os domínios Trabalho e remuneração e Vulnerabilidade económica são aqueles que apresentam uma evolução mais desfavorável.
“Enquanto o índice que explica a evolução das Condições materiais de vida registou genericamente uma evolução negativa, atingindo o valor de 89,2 em 2011 (na comparação com o ano-base de 2004 = 100), o índice relativo à evolução da Qualidade de vida apresentou uma evolução continuamente positiva, atingindo em 2011 o valor de 116,2”, refere o documento.
Os dados preliminares de 2012 reforçam esse contraste. “O índice relativo às Condições materiais de vida teve novo agravamento com uma desvalorização de 13,2 pontos percentuais entre 2004 e 2012” Dada a forte associação existente entre muitas das variáveis que compõem este indicador sintético e o funcionamento do sistema económico, a sua evolução reflete o baixo crescimento da economia no período pré-crise e é particularmente sensível aos efeitos do aprofundamento da crise económica”, avança o INE.
O domínio Trabalho e remuneração assume, conforme adianta o relatório, “um papel importante na descida do índice sintético de Condições materiais de vida com um decréscimo de 27,9 pontos percentuais entre 2004 e 2012”.
“Em praticamente todos os anos desde 2006, verificou-se um agravamento do índice relativo à Vulnerabilidade económica, atingindo-se em 2011 o índice 85,6. Os dados preliminares de 2012 apontam para nova quebra (índice 83,9), representando na comparação com o ano base uma variação de -16,1 pontos percentuais”, esclarece ainda o INE.
No que respeita ao índice de Qualidade de vida, a área da Saúde registou uma melhoria de cerca de 25 pontos percentuais, mediante a avaliação positiva dos serviços de saúde, a queda da taxa de mortalidade em pessoas com menos de 65 anos por doenças do aparelho circulatório e da taxa de mortalidade infantil.
O setor da Educação também contou com um balanço positivo, tendo em consideração indicadores como publicações científicas por 100 mil habitantes, doutoramentos, proporção de pessoas entre os 30 e 34 anos com o ensino superior completo ou redução dos chumbos e desistências no terceiro ciclo do ensino básico. Também o Ambiente obteve avaliação positiva, para o que contribuiu a diminuição da emissão de gases com efeito de estufa.
Os domínios das Relações sociais e bem-estar subjetivo e Participação cívica e governação destacam-se, por outro lado, com “desempenhos maioritariamente negativos ao longo da série (na comparação com o ano base), com valores do índice de respetivamente 97,8 e 96,2 em 2012”.