A Entidade Reguladora da Comunicação anunciou na semana passada a nomeação de Lília Ana Águas para diretora executiva do organismo que regula os media em Portugal. Em comunicado, diz que a seleção foi realizada através de concurso público e a escolha decidida por unanimidade entre os membros do Conselho Regulador.
A escolhida é a ex-deputada do CDS e até agora vereadora do partido em Oliveira do Bairro, Lília Ana Águas, que irá renunciar ao seu mandato.
Em novembro de 2015, a autarca e então deputada do CDS eleita por Aveiro foi notícia devido aos contornos da sua escolha pela autarquia de Velas, nos Açores, um dos poucos concelhos do país com executivo presidido pelo CDS, para uma avença de assessoria jurídica. No mês anterior, o próprio presidente da distrital aveirense dos centristas, Jorge Pato, assumia no Facebook que a autarca e jurista que integrava o Conselho Nacional de Jurisdição do CDS-PP tinha sido “escolhida pela hierarquia nacional do CDS-PP para ajudar o município de Velas, nos Açores, a reorganizar o seu departamento jurídico”.
“É por causa de atitudes deste tipo que pessoas válidas se afastam da política”, reagiu na altura outro vereador do CDS em Oliveira do Bairro, Paulo Caiado, acerca daquela indicação. Por seu lado, o autarca de Velas, Luís Silveira, dizia ao Público que a escolha fora sua e “por uma questão de mérito”, após não ter encontrado escritórios de advogados nos Açores dispostos a prestar aquele serviço. Mas admitiu que o nome veio indicado pelo Largo do Caldas. “Pedi à direção nacional do partido, porque este é um executivo novo e precisamos de alguém da minha confiança”, justificou.
No final de 2015, o site Má Despesa Pública, que até 2019 escrutinou os contratos públicos e a sua transparência, escolheu Lília Ana Águas para o “prémio boy do ano”, considerando-a “um exemplo banal de que os partidos sabem tratar bem os seus”.