“O Governo não tem palavra”

02 de maio 2014 - 13:59

Durante a sua intervenção sobre o Documento de Estratégia Orçamental, na sessão plenária desta sexta feira, o líder do grupo parlamentar do Bloco, Pedro Filipe Soares, afirmou que “o Governo baralhou e voltou a apresentar os cortes dizendo que há uma reposição”.

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“Diz-nos a maioria que afinal o Documento de Estratégia Orçamental não é tão mau como a oposição diz”, avançou o dirigente bloquista, sublinhando que, “na prática, existia um conjunto de cortes e o Governo baralha e volta a apresentar os cortes dizendo que há uma reposição”.

Segundo Pedro Filipe Soares, “não há nenhuma reposição, senão vejamos: os funcionários públicos vão continuar a ter um corte remuneratório, ainda não sabem o que aí vem no que respeita à tabela salarial única, que, segundo as declarações da própria ministra das Finanças, poderá representar novos cortes para muitos destes trabalhadores, pagarão mais de TSU, pagarão mais para a ADSE e pagarão mais IVA”.

Já os trabalhadores do privado, avançou ainda o líder parlamentar do Bloco, “que não tinham nenhum corte salarial, vão sofrer um aumento do pagamento para a TSU e um aumento do IVA, o que representa menos rendimento”.

“É por isso falso o argumentário do Governo. O Governo pode repetir à exaustão, tal como a maioria já fez, que cumpriu a palavra dada. Mas até a palavra dada do Governo nas últimas duas semanas não vale nada”, frisou o deputado bloquista, lembrando que o primeiro ministro afirmou recentemente que as medidas que o executivo estava a preparar não  incidiam sobre impostos, salários ou pensões.

Pedro Filipe Soares recordou ainda que o deputado Luís Montenegro afirmou que não seriam impostos mais cortes nos rendimentos.

”O Governo não tem palavra, não há novidade nisso, mas podia ter pelo menos 15 dias de memória", referiu o dirigente do Bloco de Esquerda.

“O Governo escolheu uma política orçamental que mantém as injustiças que estavam em cima da mesa que o executivo dizia que eram extraordinárias e passa-as a permanentes. E faz tudo isso mantendo também a injustiça das benesses de um IRS para as grandes empresas, do pagamento das PPP's e da defesa dos interesses do setor financeiro”, concluiu.