Orçamento da UE: um ataque ao futuro dos jovens e da Europa

11 de fevereiro 2013 - 0:21

O orçamento da União Europeia adotado na cimeira de chefes de Estado e de governo concluída sexta-feira, e que pela primeira vez institui um corte em relação ao ano anterior, é um ataque ao futuro de milhões de jovens através da Europa,além de não responder às necessidades de um efetivo combate ao desemprego, considera o Grupo da Esquerda Unitária (GUE/NGL) no Parlamento Europeu

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Alda de Sousa considera que este Orçamento Europeu "vai atingir as regiões mais pobres da Europa e alargar ainda mais as desigualdades" entre os países

Este orçamento, como sublinhou a eurodeputada Alda Sousa, é o caminho de "uma Europa mínima para uma Europa de refugo" que atinge sobretudo os jovens mas também o conjunto dos mais vulneráveis porque assenta num objetivo impossível, "combinar austeridade com investimento, coisas que não rimam uma com a outra", acrescentou a eleita pelo Bloco de Esquerda.

As chamadas "garantias aos jovens" contidas no orçamento são "operações de cosmética", segundo o GUE/NGL, uma vez que o que foi aprovado significa cortes no programa Erasmus e atingirá de variadas maneiras o ensino, a educação, a cultura, além de continuar a não contribuir para desenvolvimento do emprego sustentado.

"Dificilmente teremos condições para um futuro juntos", segundo Alda Sousa; "só haverá futuro para alguns enquanto os outros continuarão na berma da estrada".

Pela primeira vez em 56 anos de história da integração europeia o orçamento comunitário sofre um corte, e logo na ordem dos 93 mil milhões de dólares.

Os fundos estruturais e de coesão são outras das principais vítimas deste orçamento, recorda o GUE/NGL. "Esta situação", considera, "vai atingir as regiões mais pobres da Europa e alargar ainda mais as desigualdades" entre os países. Além disso, salienta Alda Sousa, o cheque de mil milhões de euros prometido a Portugal como suposta compensação para os cortes permanentes nos fundos da ordem dos dez por cento, não cobre nem de perto nem de longe os danos que tal medida vai implicar.

Também o prometido pacote de 500 milhões de euros alegadamente para compensar perdas decorrentes dos cortes orçamentais não atinge o objetivo invocado uma vez que reduz a perda a metade, o que não deixa de ser uma perda em plena crise e numa situação em que Bruxelas continua a impor a austeridade.

"Um orçamento significa escolhas políticas", salientou Alda Sousa. As escolhas são "austeridade e cortes", designadamente na área da coesão europeia, confirmando-se a "obsessão ideológica" das instituições europeia.

"Os conservadores eurocéticos ganharam o dia", salienta o comunicado do GUE/NGL, deixando agora ao Parlamento Europeu a possibilidade de travar a situação, podendo vetar o orçamento.

"O Parlamento Europeu tem mantido a posição de vetar um orçamento que contenha cortes superiores a 80 mil milhões de euros", lembrou Alda Sousa. "Mas temos observado comportamentos em que o Parlamento Europeu ameaça vetar coisas, com entradas de leão, acabando por aceitá-las, com saídas de gato", acrescentou.

Notícia publicada no portal beinternacional.eu