País parado no Carnaval

12 de fevereiro 2013 - 13:48

Ruas e estradas desertas, transportes vazios, comércio a meio gás, bancos e correios fechados e escolas sem alunos. O Governo decidiu não dar tolerância de ponto nesta terça-feira de Carnaval, pela segunda vez, mas o resultado foi o mesmo do ano passado: o setor privado não trabalhou e os serviços públicos estão praticamente parados.

PARTILHAR
O movimento hoje, nos transportes coletivos, foi muito mais parecido com um sábado ou domigo do que com um normal dia de trabalho, como pretende o Governo // Foto Paulete Matos

Uma monumental desautorização do Governo. Pela segunda vez consecutiva, os portugueses e a maioria das empresas viraram as costas à decisão do Governo de retirar a tradicional tolerância de ponto na terça-feira de Carnaval. Os serviços públicos abriram portas mas estão praticamente parados. As escolas mantiveram as tradicionais mini-férias associadas ao período.

Quase dois terços das câmaras municipais do país, grande parte das quais governadas pelo PSD, desrespeitaram a decisão do Governo e deram o dia aos seus funcionários.  De acordo com a informação recolhida pela agência Lusa, em 196 municípios, dos 308 existentes em Portugal, o carnaval continua a merecer a tolerância de ponto. Idêntica decisão foi seguida pelos Governos regionais dos Açores e da Madeira. O ano passado, tinham sido apenas 116 as câmaras a virar as costas à pretensão do Governo.

Pese embora a decisão do Governo, que pretende que o Carnaval seja um dia de trabalho como os outros, na maioria das empresas públicas o dia de hoje é tratado como se fosse feriado. As empresas de transportes estão a funcionar com horários reduzidos, como ao fim-de-semana, e os CTT e a Caixa Geral de Depósitos concederam o dia aos trabalhadores.

Também na maioria das empresas privadas, e respeitando as contratações coletivas de trabalho, o Carnaval continua a ser sinónimo do direito à tradicional tolerância de ponto. É o caso das empresas de transportes, mas também do comércio, que deixou vazias as ruas das principais cidades do país.

"Inúmeras empresas, centenas e centenas de autarquias decidiram fazer a tolerância de ponto. A evocação da crise pelo Governo não tem qualquer sentido porque todos sabemos que estes dias de Carnaval são, para muitas economias locais, em muitos concelhos, fator de incentivo e dinamização dessas mesmas economias", afirmou na Assembleia da República a deputada do Bloco, Mariana Aiveca.

Termos relacionados: Política