"A extrema-esquerda do parlamento está hoje muito preocupada com o BPI. Não tenho ações, nem participações, nem contas no BPI e tenho muita dificuldade em responder nessa matéria", disse esta sexta-feira Passos Coelho em resposta a uma interpelação da deputada Heloísa Apolónia, do Partido Ecologista "Os Verdes" (PEV).
A deputada exigiu ao primeiro-ministro a condenação "veemente" das palavras do banqueiro Fernando Ulrich, mas Passos Coelho nada disse sobre as palavras do banqueiro, insultuosas a todos os portugueses.
Recorde-se que Ulrich disse em entrevista à TV – no dia em que comemorou os 249 milhões de lucros em 2012 que o seu banco obteve, os maiores desde 2007 – que “se os gregos aguentam uma queda do PIB de 25%, os portugueses não aguentariam porquê? Somos todos iguais, ou não?"
E, entusiasmado, prosseguiu nessa linha de argumentação: "Se você andar aí na rua e infelizmente encontramos pessoas que são sem-abrigo, isso não lhe pode acontecer a si ou a mim porquê? Isso também nos pode acontecer", para concluir: "Se os sem-abrigo aguentam porque é que nós não aguentamos?"
Para Passos Coelho, "os bancos portugueses defenderam o interesse nacional ao adquirir títulos da dívida pública portuguesa", rejeitando tratar-se de "especulação financeira". O primeiro-ministro defendeu que "o interesse público foi bem defendido" a bem da "estabilidade do sistema" com as operações dos bancos que apostaram – e lucraram – com a compra de títulos da dívida portuguesa.