Passos e Seguro vão combinar a “dose de austeridade que têm para oferecer aos portugueses”

17 de março 2014 - 16:06

João Semedo antecipou esta segunda-feira que o encontro entre o primeiro-ministro e o líder do PSD para analisarem a conclusão do programa de ajustamento servirá para combinarem qual "a dose de austeridade" que têm para oferecer aos portugueses. O coordenador avançou ainda que o Bloco fará campanha “contra as políticas de austeridade e pelo referendo ao Tratado Orçamental”.

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Alda de Sousa, Marisa Matias e João Semedo. Foto de José Sena Goulão/Lusa

Em declarações aos jornalistas no final de um encontro com o Presidente da República com vista à marcação das eleições europeias, o coordenador do Bloco João Semedo afirmou que, depois da troika ter chegado a Portugal pelas mãos de um governo PS, com o apoio do PSD e do CDS, a segunda troika terá também o apoio daqueles três partidos.

"O segundo programa de austeridade, a segunda troika, seja ela qual for, seja em que versão vier, seja com que roupagem vier será pela mão do Governo PSD/CDS, com o apoio do PS", sublinhou.

Por isso, disse João Semedo, o encontro que se irá realizar ao final da tarde entre o primeiro-ministro e o líder socialista servirá apenas "para combinar mais uma vez qual é a dose de austeridade que têm para oferecer aos portugueses".

"É essa a expetativa que infelizmente temos ao que têm sido as atitude, a posições políticas de António José Seguro, que continua a olhar mais para a direita do que para a esquerda e isso condenará o país a mais anos de austeridade absolutamente inúteis porque a dívida continuará a crescer", acrescentou.

A audiência entre Passos Coelho e António José Seguro, marcada para as 18:45, surge na sequência do convite do primeiro-ministro ao líder do PS para analisar em conjunto o processo de conclusão do programa de assistência financeira e para a construção de uma "estratégia de médio prazo".

Bloco fará campanha “contra as políticas de austeridade e pelo referendo ao Tratado Orçamental”

"Do ponto de vista do Bloco de Esquerda há uma exigência democrática que se coloca a todos os intervenientes na vida política portuguesa - o que inclui os órgãos de soberania, os partidos políticos, mas também a comunicação social - essa exigência é de todos contribuírem para que nas próximas eleições europeias a taxa de abstenção seja reduzida e se criem condições para que o maior número de eleitores e eleitoras participem nas eleições desta vez", afirmou João Semedo.

Sublinhando que as eleições europeias, que deverão ser marcadas para 25 de maio, "têm imensa importância, não apenas para os destinos europeus, mas também para a política nacional", o coordenador do Bloco assinalou que o ato eleitoral representará também uma "oportunidade para os portugueses clarificarem a vida política".

Pois, acrescentou, o que está em causa nesse dia é se os "portugueses rejeitam esta política de austeridade e se exigem do governo e dos responsáveis políticos uma política diferente de deixar de respeitar apenas os interesses dos credores e das instituições europeias e desenvolverem uma política nova, diferente que defenda o emprego, a economia, as famílias portuguesas e o país".

João Semedo adiantou ainda que a campanha do Bloco será, nesse sentido, uma "campanha contra as políticas de austeridade e campanha pelo referendo ao Tratado Orçamental".