Pedro Passos Coelho: “Ninguém aconselhou os portugueses a emigrarem”

17 de janeiro 2013 - 16:45

O primeiro ministro garantiu esta quinta feira que o governo português nunca aconselhou os portugueses a emigrarem. Em outubro de 2011, o secretário de Estado da Juventude e do Desporto aconselhava os jovens desempregados a “sair da zona de conforto e ir para além das nossas fronteiras”. Dois meses depois, Passos Coelho sugeria aos professores que emigrassem para os países de língua portuguesa.

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Foto de Paulete Matos.

Durante uma visita oficial ao consulado-geral de Portugal em Paris, Pedro Passos Coelho, citado pela agência Lusa, garantiu que "ninguém aconselhou os portugueses a emigrarem", adiantando, contudo, que a emigração não deve ser um "estigma" e que muitos portugueses "conseguiram, ao longo dos anos, e com o seu mérito, conquistar uma posição de prestígio e de reconhecimento na sociedade francesa".

"A emigração, quando ocorre de forma mais massiva, expressa uma situação de défice e de ´não solução' interna na economia que a origina", afirmou o primeiro ministro, lembrando que Portugal vive "um tempo de recessão económica", e que isso significa que muitos portugueses não encontram no seu país "as oportunidades de realização profissional e de emprego de que dependem também para poder satisfazer as suas responsabilidades familiares".

Em dezembro de 2011 Passos Coelho afirmou, em declarações ao jornal Correio da Manhã, que os professores portugueses que ficaram sem emprego por causa das medidas deste governo, que aumentou o número de alunos por turma, "querendo manter-se sobretudo como professores” podiam “olhar para todo o mercado da língua portuguesa e encontrar aí uma alternativa". “Em Angola e não só. O Brasil tem também uma grande necessidade ao nível do ensino básico e secundário”, acrescentou.

As declarações do primeiro ministro português motivaram a indignação dos professores, que lançaram uma declaração de repúdio pelas mesmas e se concentraram em frente à residência oficial de Pedro Passos Coelho.

Dois meses antes, o secretário de Estado de Juventude, em visita à comunidade portuguesa em São Paulo, incentivou os jovens desempregados a saírem do país. “Se estamos no desemprego, temos de sair da zona de conforto e ir para além das nossas fronteiras”, defendeu Alexandre Miguel Mestre no fim de outubro de 2011.

Belmiro de Azevedo, aproveitando a dica do governo, frisou, em junho de 2012, que "os empregos nascem em sítios que não estão ao lado de casa" e que “o problema do desemprego resolve-se muito bem, desde que as pessoas façam aquilo que é óbvio”. “O emprego fora de Portugal é, em muitos sítios no mundo, onde há muita posição, muito interessante, a ganhar muito bem. Mas Portugal não se habituou", rematou.

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