Cerca de 50 desempregados foram ao Pingo Doce da Rua 1º de Dezembro, no centro de Lisboa, exigir que lhes fossem oferecidos cabazes de Natal, à semelhança do que acontecera a 4 de dezembro com o desempregado Nelson Arraiolos.
O gerente recusou-se a fazê-lo, e os desempregados exigiram então o livro de reclamações. Começaram, então, a preenchê-lo lentamente. A polícia montou um cordão à frente do supermercado, impedindo a entrada a qualquer pessoa, mesmo que fosse um simples cliente. Lá dentro, somavam-se as folhas do Livro de Reclamações preenchidas. Cá fora, participantes do protesto distribuíam um comunicado a denunciar que “a Jerónimo Martins do Pingo Doce e 19 das 20 maiores empresas portuguesas fogem aos impostos via Holanda, empobrecendo todos os portugueses que têm de pagar por elas”, e que o Pingo Doce “lucrou 360 milhões em 2012 a explorar e pagar mal aos seus trabalhadores e a esmagar os pequenos e médios produtores, obrigando-os a vender abaixo do custo de produção para depois revender os produtos por vezes 100% mais caros”, entre outras denúncias.
Aquele supermercado acabaria por ser fechado pelo resto do dia.
Maria Cabaz
A 4 de Dezembro, Nelson Arraiolos, desempregado de longa duração sem rendimentos, dirigiu-se ao supermercado Pingo Doce para levar um pacote de arroz sem pagar, numa ação simbólica contra a austeridade que atira cada vez mais desempregados para uma criminalidade envergonhada.
Só que o gerente da loja já estava à espera dele e disse compreender a ação, oferecendo-lhe um cabaz de Natal e manifestando-se solidário com a sua causa.
Nasceu aí a ideia do evento, sob o lema “Oferecem a um, oferecem a todos!”
Um perfil no Facebook da personagem fictícia “Maria Cabaz” convocou o evento “No dia 21 de dezembro, exija o seu cabaz”.
O evento inicial foi censurado repetidas vezes através de denúncias abusivas, segundo os organizadores. O perfil que o hospedava foi abaixo 7 vezes e o evento duas. Mas foi recriado e o protesto acabou por se realizar.
“No último sábado antes do Natal, quando os nossos exploradores esfregam as mãos a pensar em todo o dinheiro que lhes vai entrar no bolso, demos uma pequena ferroada nos seus lucros e ajudámos a lembrar que para 1.500.000 pessoas que estão no desemprego e subemprego, o Natal está longe de ser uma época de celebração”, escreveu “Maria Cabaz”, em jeito de balanço.