Porto: “Mais um empurrão e o governo vai ao chão”

15 de setembro 2012 - 23:16

João Semedo não recorda de outra manifestação na cidade com este número de participantes, cerca de 150 mil, segundo os organizadores. “Majestosa, combativa”, sublinha o deputado do Bloco.

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Uma manifestação "majestosa", diz João Semedo. Foto de Pedro Granadeiro, EPA

João Semedo não se lembra de uma manifestação tão grande como a de este sábado. “No 1º de maio de 74 não estava no Porto, mas sei que essa foi maior. Mas, tirando a de 74, não recordo de outra que tenha tido este número de participantes”, diz o deputado do Bloco.

Semedo destaca também a combatividade e a determinação dos manifestantes. “Todos estavam muito animados, havia um enorme espírito de contestação, as pessoas estão mesmo desesperadas”, sublinha o deputado, que constatou que mesmo as pessoas que ficavam nos passeios a ver a manifestação passar aplaudiam e gritavam as palavras de ordem.

Foram, segundo os organizadores, 150 mil a gritar “Mais um empurrão e o Governo vai ao chão”, “Coelho, abutre, o povo já não te curte”, “Estou a trabalhar para o Governo me roubar”, “Nós não somos amigos do [ministro das Finanças, Vítor] Gaspar”, “Temam o povo”, “Não tens de viver ajoelhado, levanta-te e luta”, entre palavras de ordem e frases escritas nos cartazes dos manifestantes.

Na Avenida dos Aliados, na Praça General Humberto Delgado, na Praça da Liberdade e nas ruas adjacentes, a manifestação foi “majestosa e animada”, segundo João Semedo.

Outras palavras de ordem foram “O povo não quer gatunos no poder”, “FMI fora daqui”, “Passos, ladrão, pede a demissão” e “Está na hora de ir embora”.

“O primeiro-ministro diz que dorme descansado. Mas os pobres desempregados não conseguem dormir porque têm a barriga vazia”, foi o que Joaquim Martins, reformado de 69 anos, escreveu à mão numa toalha de papel, em solidariedade com quem não tem emprego.

“É o que se vê todos os dias: as pessoas encostadas pelos cantos, nos centros de emprego, a passar fome”, descreveu.