Segundo a nota divulgada na página web dos Precários Inflexíveis (PI), a Optimus tinha a trabalhar para si dezenas de operadores de call-center no mesmo espaço em Lisboa. Mas o patrão oficial destes trabalhadores eram três empresas de trabalho temportário (ETT's): a Randstat, Teleperformance e EGOR. Um novo concurso aberto pela empresa em janeiro, "ao bom estilo do 'quem dá menos'", foi ganho pela Randstat no Porto e os trabalhadores de Lisboa - que segundo o PI tinham "de um ano e meio até doze anos de casa" - foram mandados embora pelas ETT's.
Se a Teleperformance e a Radstat ainda pagaram a indemnização prevista no contrato, o caso da EGOR foi diferente. "A empresa chantageou muitos dos trabalhadores para que assinassem cartas a rescindir os contratos, mas a grande maioria recusou-se liminarmente a fazê-lo", dizem os Precários Inflexíveis, acrescentando várias das ameaças feitas. "Na altura de fazer as contas às indemnizações, a EGOR utilizou todos os métodos de que se lembrou para não pagar o devido aos trabalhadores", acrescentam. Por exemplo, utilizar retroativamente a legislação de novembro de 2011 para calcular as indemnizações, "quando todos os contratos foram assinados antes da data e portanto sujeitos à indemnização prevista na legislação anterior (uma perda na ordem dos 25% da indemnização)", ou contar os dias de folgas como dias de férias ou simplesmente não pagar as férias.
"É injustificável, e ilegal, que um trabalhador seja subcontratado durante anos seguidos através de uma Empresa de Trabalho Temporário, que enquanto intermediário lhe confisca parte considerável do salário", acusam os Precários, que dizem também não ser "por simples acaso que a Optimus recorre à precariedade e a ilegalidade como política de gestão de recursos humanos e se recusa a celebrar contratos directamente com os seus trabalhadores: a demanda é despedir quando se quer e com poucos ou nenhuns direitos associados".
"É por tudo isto e muito mais que a Lei Contra a Precariedade é tão premente e a sua aprovação no Parlamento decisiva para restabelecer a legalidade e impedir a utilização de expedientes abusivos por parte de empresas apenas interessadas em explorar ao máximo as suas trabalhadoras e trabalhadores", conclui a nota divulgada esta quarta-feira.
Precários denunciam despedimentos nas ETT's contratadas pela Optimus
17 de maio 2012 - 1:28
Os Precários Inflexíveis acusam a Empresa de Trabalho Temporário EGOR de ameaças e chantagens aos trabalhadores para não lhes pagar a indemnização devida. O seu despedimento aconteceu quando a operadora de telecomunicações da SONAE abriu novo concurso para pagar ainda menos aos precários dos call-centers.
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Foto Paulete Matos.