O objetivo deste roteiro será “levantar os problemas e respostas necessárias para juntar trabalhadores precários na investigação e bolseiros”, avança a Associação de Combate à Precariedade-Precários Inflexíveis (ACP-PI).
Durante o encontro “Fartos de Andar de Bolsa em Bolsa”, que teve lugar no ISCTE, em Lisboa, e que reuniu dezenas de bolseiros, foi traçado um “diagnóstico bastante preocupante” da Investigação, da Ciência e da precarização dos trabalhadores da investigação.
“O impacto das políticas de austeridade sobre a investigação e sobre a precarização dos investigadores é devastador: desde 2011 houve um corte de 14% no Orçamento do Estado para a Fundação para a Ciência e Tecnologia e de 30% para as universidades”, refere a ACP-PI.
No documento de balanço do encontro, publicado no seu site, a ACP-PI aponta ainda que “em 2012 houve 1198 bolsas de doutoramento e 677 bolsas de pós-doutoramento. O concurso de bolsas individuais cujos resultados serão anunciados nos próximos dias vai atribuir cerca de 300 bolsas de doutoramento e 100 de pós-doutoramento. Este retrocesso significa o abandono declarado da investigação e promoverá um êxodo dos quadros técnicos mais qualificados do país”.
A iniciativa “Fartos de Andar de Bolsa em Bolsa” contou com as intervenções de Manuel Sobrinho Simões, médico e Diretor do Instituto de Patologia e Imunologia Molecular do Porto, Élio Sucena, investigador principal do Instituto Gulbenkian de Ciência, Nuno Domingos, investigador no Instituto de Ciências Sociais, Cristina Lobo Ferreira, jurista da Direção Geral da Segurança Social, Alan Stoleroff, professor de sociologia no ISCTE, e Inês Milagre, investigadora de pós-doutoramento em Cambridge.