Há anos que subsiste a ideia de facilitismo nos colégios privados. Um estudo recente da Universidade do Porto confirma a tese e coloca a nu as desigualdades que continuam a pautar o acesso ao ensino superior num país onde as competências intelectuais são substituídas ao capital financeiro.
A investigação analisou, de 2001 a 2011, mais de três milhões de classificações de exames e notas internas e concluiu que os privados são os que mais “inflacionam” os resultados, em comparação com Escolas Públicas e colégios com contratos de associação (particulares financiados pelo Estado).
Os autores, do Centro de Investigação e Intervenção Educativas (CIIE) da Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação do Porto, estudaram os desvios entre as notas internas e as de exame e concluíram mesmo que as discrepâncias podem ser determinantes para entrar ou ficar de fora de um determinado curso.
As contas são fáceis de fazer: exames nacionais que funcionam como prova de ingresso para o ensino superior têm uma ponderação entre 35 e 50%; os restantes representam apenas 30% da nota final.
Findo o 11.º ano é hora de fazer uso da regra de três simples. Nalguns casos, o resultado dita a mudança de escola: “há muitos alunos que frequentam a Escola Pública e no 11º ano mudam para um colégio, porque percebem que não vão ter a avaliação de que precisam para entrar no curso que querem e sabem que no privado mais facilmente conseguirão notas altas", admite Filinto Lima ao jornal Expresso, da Associação Nacional de Diretores e Agrupamentos e Escolas Públicas.
A investigação, intitulada "Injustiça no acesso ao ensino superior: uma comparação de 11 anos sobre a inflação de notas nas escolas secundárias públicas e privadas em Portugal", foi tornada pública na revista “Higher Education” e mostra como o acesso ao ensino superior continua a ser desigual.