A vigília frente à Câmara de Sintra foi convocada pela APEDE (Associação de Professores e Educadores em Defesa do Ensino), teve a participação de mais de 50 professores e contou com a presença solidária da Deputada Ana Drago e de André Beja, do Bloco de Esquerda de Sintra.
As razões do protesto foram sintetizadas por Ricardo Silva, esclarecendo que os professores exigem “que haja uma suspensão imediata deste modelo de avaliação e que ele seja substituído por um modelo sério, justo e que efectivamente melhore as práticas docentes.”
O Coordenador da APEDE criticou "as medidas economicistas" da tutela, que, a serem aplicadas, levariam a que milhares de professores não vissem os seus contratos renovados no próximo ano. Na opinião do docente “a ministra deixou cair a máscara nas últimas horas ao afirmar que a sua única preocupação são os 43 milhões de euros que este ano não se vão poupar e os 120 milhões para o ano", o que demonstra que os critérios por detrás das mudanças em curso “não são nada pedagógicos, mas sim, e como sempre, economicistas".
O protesto visou ainda combater a possibilidade de criação de mega-agrupamentos escolares no concelho de Sintra, uma vez que os agrupamentos propostos têm uma dimensão incomportável: "Querer juntar estas unidades e atingir um número de cerca de quatro mil alunos é uma total loucura. Vai desvirtuar as escolas, vai pôr em causa os seus projectos educativos e vai torná-las ingovernáveis. Isto é apostar na deseducação".
Ana Drago lembrou a vitória obtida no parlamento, nesta sexta feira, com a aprovação, pelos partidos da oposição, da suspensão do Decreto de reorganização curricular. A deputado apelou aos professores a que aprofundem a discussão sobre o futuro da educação, porque ”é preciso que se comecem a levantar vozes pela dignidade de quem está todos os dias nas escolas, com os nossos jovens e as nossas crianças, a fazer democracia e a criar igualdade de oportunidades. É preciso que essas vozes se comecem a ouvir dentro das escolas e a trazer mais gente, pois este é um combate absolutamente fundamental.”
A deputada do Bloco apontou também para a necessidade de união de esforços para combater outras medidas prejudiciais à educação, como o “despacho de organização das escolas, a aplicar no próximo ano, ou a intenção da criação dos mega agrupamentos”, considerando que, em conjunto com este modelo de avaliação, ”tais medidas vão levar a que, na educação, daqui para a frente só se faça uma discussão de números”.
Em declarações à agência Lusa, Ana Drago acusou a Ministra da Educação de ser “uma espécie de porta-voz do Ministério das Finanças”, responsabilizando-a pela proposta de “uma nova estrutura curricular, que não era nada, que na prática pretendia a partir de Setembro permitir o despedimento em massa dos professores contratados”, abrindo portas a “um conjunto de medidas que são assustadoras e que estão neste momento a dificultar muito o trabalho dos professores”, que na prática fazem com que “seja a escola pública a pagar o défice”.