Protesto de jornalistas: "o que está em causa é a defesa da democracia"

19 de outubro 2012 - 13:15

Mais de duas centenas de jornalistas concentraram-se em frente à redação do Público, em Lisboa, em protesto contra os despedimentos e os cortes orçamentais no setor. A deputada do Bloco Catarina Martins, que participou neste protesto, sublinhou que “esta grande convergência da comunicação social na defesa da democracia é essencial”.

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"O que dá voz a todo o país, o que nos permite dizer aquilo que é necessário dizer em cada momento e ter informação do que se está a passar no país, é a comunicação social”, frisou a dirigente bloquista, adiantando que “estamos a viver momentos muito perigosos, muito sombrios” e que “esta mobilização, esta grande convergência da comunicação social na defesa da democracia é essencial”.

“Não é só a defesa dos seus postos de trabalho” que está em causa, “é a defesa da democracia”, defendeu. “Os problemas não estão só no Público, na RTP e na Lusa. Sabemos que todos os órgãos de comunicação social estão a sofrer uma fragilização da sua capacidade. Sem imprensa, sem comunicação social, é um país que fica calado, sem democracia”, rematou a deputada do Bloco de Esquerda.

A concentração, que decorreu em frente da redação do Público, na Rua Viriato, n.º 13, em Lisboa, e que teve início às 11h, reuniu trabalhadores do jornal Público, que agendaram uma paralisação para o dia de hoje como forma de luta contra a intenção da Sonaecom de proceder ao despedimento de 48 trabalhadores; da agência Lusa, que cumprem hoje o segundo dia de greve contra os cortes orçamentais no contrato de programa de 2013; e da Comissão de Trabalhadores da RTP, que manifestaram a sua solidariedade para com os trabalhadores do Público e da Lusa e anunciaram a sua presença nas iniciativas de protesto.

Nesta concentração participaram ainda vários jornalistas veteranos, como é o caso de Diana Andringa e Adelino Gomes.

A partir das 13h, a concentração deslocou-se para a sede da agência Lusa, onde continuará a decorrer o protesto. Para sábado, os órgãos representativos dos trabalhadores da agência Lusa marcaram uma ação de sensibilização junto ao café A Brasileira, à saída do metro da Baixa-Chiado, às 12h, e para domingo foram agendadas ações de sensibilização feitas por diversos piquetes de greve junto dos restantes órgãos de comunicação social, clientes dos serviços da Agência Lusa.

Já na segunda feira, realizar-se-á uma conferência de imprensa, às 11h, nas instalações do Sindicato dos Jornalistas, em Lisboa, com os representantes dos órgãos representativos dos trabalhadores.

Várias personalidades e coletivos já vieram manifestar a sua solidariedade para com os trabalhadores da agência Lusa, entre os quais a Federação Nacional da Educação (FNE), que saúda a sua “coragem e determinação”, e a Associação Portuguesa de Realizadores (APR), que se afirma indignada “contra mais um golpe no Serviço Público”, considerando que “o Governo de Passos Coelho faz um cerco mortal à informação independente".

A greve no jornal Público conta com uma adesão de 90% no Porto e de 86% na redação de Lisboa.

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