A manifestação desta terça-feira contou com muitas centenas de bolseiros vindos não apenas de Lisboa mas também de Aveiro, Porto e outras localidades. Os bolseiros reagiram assim ao corte na atribuição de bolsas de doutoramento e pós-doutoramento, confirmado pelo anúncio do resultado do concurso na semana passada.
Com apenas 9% dos candidatos a bolsa de doutoramento - e 10% para o pós-doutoramento - a conseguirem o direito a uma bolsa, o resultado do concurso da Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT) será na prática um despedimento massivo dos investigadores das universidades portuguesas.
A esse propósito, a presença de um caixão no protesto, onde se lia "Aqui jaz a Ciência", é um bom retrato da mensagem que os bolseiros deixaram em frente à sede da FCT e na residência oficial do primeiro-ministro, para onde seguiram sob forte chuva. A par do caixão, os manifestantes trouxeram faixas com palavras de ordem onde se podia ler “Décadas de investigação no lixo”, “Com precariedade não se faz ciência de qualidade” ou “Cortes, não”, ao mesmo tempo que entoaram slogans como "Corte na ciência, país na falência", "Portugal sem ciência, país sem futuro", "Crato otário, queremos um salário", "Passos escuta, os bolseiros estão em luta", além de "Demissão, demissão, demissão", referindo-se quer ao Governo quer a Miguel Seabra, o presidente da FCT.
Presidente da FCT chamado a dar explicações ao Parlamento
O requerimento do Bloco de Esquerda para uma audição urgente a Miguel Seabra foi aprovado na Comissão Parlamentar de Educação, Ciência e Cultura. O Bloco quer que o presidente da FCT venha explicar aos deputados os cortes na atribuição de bolsas.
"O número de bolsas atribuídas despoletou um aceso debate público sobre políticas públicas para a ciência no que respeita aos efeitos imediatos sobre a produção e transmissão de conhecimento e, também, sobre os efeitos a médio e longo prazo na capacidade do país em responder e estar integrado na comunidade científica internacional bem como as decorrentes consequências sociais e económicas do rumo atual", considera o Bloco no requerimento aprovado esta terça-feira e que levará Miguel Seabra a dar explicações aos deputados nas próximas semanas.