Quanto pior é a realidade, maior é a fantasia de Passos

18 de janeiro 2013 - 11:50

João Semedo confrontou Passos Coelho com a contradição entre as previsões económicas do Banco de Portugal e o "otimismo fantasista" do discurso do Governo. Na resposta, Passos insistiu na necessidade de prosseguir os cortes, prometendo o "alívio fiscal" para depois.

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Debate quinzenal com o primeiro-ministro na Assembleia da República.

O debate quinzenal com o primeiro-ministro arrancou com a intervenção do coordenador bloquista, ao constatar que as "conclusões do Banco de Portugal são balde de água fria para o Governo", ao preverem uma recessão neste ano que é o dobro da que o Governo tinha previsto.

"As previsões do Banco de Portugal são um contraste flagrante com o otimismo fantasista que tomou conta do discurso do Primeiro-ministro", afirmou Semedo, lembrando Passos Coelho que "em dois anos, o seu programa de ajustamento reduz o Produto em 9 mil milhões de euros e acrescenta 350 mil desempregados".

"Até os cidadãos portadores de deficiência fazem parte da lista de gorduras que o seu Governo pretende eliminar", prosseguiu o deputado do Bloco, lembrando a maior penalização dos deficientes com as novas taxas de IRS. "Quanto pior é a realidade, maior é a sua fantasia", acrescentou Semedo, responsabilizando o Governo pelo facto de "os níveis da nossa economia regressarem aos níveis do final do século passado".

Na resposta, o primeiro-ministro defendeu que "se queremos alívio fiscal, temos de cortar a despesa pública" e dirigiu-se aos adversários dos cortes na educação, saúde e serviços públicos afirmando que "o Estado social que o país soube construir nas últimas décadas tem pés de barro".

Para João Semedo, o Governo está a obrigar o país à escolha de “querer a espada ou a parede”. “O primeiro-ministro diz-nos 'ou aumentamos os impostos ou cortamos na despesa pública'. O problema do país e dos portugueses é que o Governo faz as duas coisas ao mesmo tempo", acusou o coordenador  do Bloco, propondo em alternativa "cortar onde não há efeitos recessivos: cortar nos juros e cortar na dívida, isso é que eram medidas úteis ao país".

Em seguida, João Semedo referiu-se à conferência do Palácio Foz, "uma reunião entre o secreto e o amordaçado", apelidando-a de "requiem pelo Estado Social, segundo a cartilha do FMI". "O Governo cumpre o o FMI diz e manda e tem sido assim desde o início do mandato", afirmou.

"Mas cabe na cabeça de alguém ir perguntar ao credor o que deve fazer para pagar o que lhe deve? Só mesmo o seu Governo é que se lembrou de cair numa situação tão insólita", acrescentou Semedo, numa alusão ao pedido do relatório do FMI.

O discurso da recuperação económica que Passos Coelho tem adotado, embora desfasado das previsões económicas de todas as instituições, também mereceu críticas da bancada bloquista. "Fala-nos em recuperação. Explique-nos lá como é que vão recuperar as dezenas de milhares de funcionários públicos que quer despedir? Como vão recuperar as centenas de milhares de pensionistas a que o seu Governo vai cortar as pensões? E os milhares de desempregados que perderam o subsídio de desemprego? E os doentes a quem cortou o subsídio de doença?", questionou Semedo.

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