Apoio à economia local ou cedência aos caprichos do homem mais rico do mundo? A autarquia de Roterdão está debaixo de críticas por aceitar desmantelar uma parte da ponte Koningshaven, mais conhecida por De Hef, de forma a permitir a passagem do super-iate encomendado por Jeff Bezos e que deverá custar mais de 420 milhões de euros.
Além de construir foguetões para passeios no espaço, Bezos quer ter o maior iate do mundo, com 127 metros de comprimento e que irá bater o recorde do Sea Cloud, encomendado há quase cem anos. Mas a altura dos três mastros impede o barco de sair dos estaleiros de Roterdão, um problema que o bilionário prontamente se ofereceu para contornar, pagando pela operação de retirada da parte central da ponte.
De Hef é um monumento nacional e um símbolo do passado industrial da cidade. Já serviu para a passagem de comboios e foi restaurada há apenas cinco anos, com a promessa da autarquia de não lhe voltar a mexer.
Em declarações ao portal Rijnmond, Marcel Walravens, responsável na autarquia para assuntos relacionados com a ponte e que participou na última remodelação, defende a decisão do município, tendo em conta a importância do projeto “do ponto de vista económico e de manutenção de emprego”. Walravens diz que ao contrário da obra anterior, esta pode durar poucas semanas.
Mas este pragmatismo em defesa da indústria local não é partilhado por todos. Ao mesmo portal, Ton Wesselink, da Sociedade Histórica de Roterdão, defende que “o emprego é importante, mas há limites ao que se pode e deve fazer com o património”. Para tentar contornar os requisitos obrigatórios de mexer numa obra classificada como monumento nacional, a autarquia deverá classificar a intervenção como uma simples obra de manutenção.