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Os especialistas em armas químicas da ONU conseguiram entrar em zonas que foram atacadas com armas químicas, na passada semana, nos subúrbios de Damasco. Os especialistas têm analisado os edifícios bombardeados e recolhido provas fornecidas pelas vítimas, retirando amostras de sangue e de cabelo, conta um médico da localidade de Mudamiya, no sudoeste da capital, zona controlada pelas forças rebeldes.
O grupo de especialistas entrou por uma rua bloqueada pela força aérea síria neste subúrbio de maioria sunita, controlado por forças leais ao presidente sírio Bashar Al-Assad. “Estou com a equipa agora, estamos na mesquita Rawda, onde estamos reunidos com os feridos. Os nossos médicos e inspetores estão a falar com os pacientes e a recolhar amostras das vítimas, contou por via telefónica o médico Abu Karam ao diário espanhol Público.
Os investigadores também conseguiram entrar em Muadamiya, que está nas mãos da oposição, depois de cinco tentativas frustradas e um ataque contra a sua caravana, segundo o porta-voz do centro da imprensa local.
A ONU denunciou, através de um comunicado, o ataque de snipers contra um dos veículos, que ficou inutilizado pelos disparos, o que obrigou a equipa a esperar para o substituir. O governo sírio culpou os “grupos terroristas armados”, denominação que costuma atribuir aos grupos rebeldes, de atirar sobre os membros da missão, enquanto alguns grupos de ativistas da oposição acusaram as forças do regime de serem os autores dos disparos.
As Nações Unidas anunciaram que Damasco tinha aceite um cessar fogo durante as inspeções. As forças rebeldes, segundo membros ligados a este grupos, também pararam as suas operações e várias brigadas ofereceram proteção à equipa da ONU. Mas, enquanto um apoiante da oposição falava com a agência Reuters via Skype, ouviram-se explosões de granadas de morteiro, o que enfatiza os perigos e as dificuldades que os inspetores enfrentem no terreno.
As investigações decorrem enquanto sobem de tom os apelos no Ocidente para tomar medidas mais fortes e drásticas contra o governo de Assad, que muitos responsabilizam pelo ataque. A Síria aceitou, neste domingo, permitir a visita dos inspetores, mas os Estados Unidos e os seus aliados, como o Reino Unido e a França, dizem que o mais provável é que as provas tenham sido destruídas pelos fortes bombardeamentos das forças governamentais contra a zona, nos últimos cinco dias.
A equipa, liderada pelo sueco Ake Sellström, procura vestígios de utilizaram de armas químicas em três localizações diferentes na Síria, ainda que a ONU tenha recebido catorze relatórios do seu possível uso.
A Coligação Nacional Síria (CNFROS, a principal aliança da oposição) denunciou, na semana passada, que pelo menos 1300 pessoas morreram num ataque onde foram utilizadas armas químicas que, segundo a organização, foi da responsabilidade do exército sírio. Por sua vez, a organização Médicos Sem Fronteiras (MSF) confirmou a morte de 355 pessoas com sintomas neurotóxicos na periferia sul de Damasco, sem referir o autor do genocídio.